quinta-feira, 13 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Terceira Parte

(Leviathan e Behemoth, William Blake, 1825)


III

MEDO



Impreterivelmente (...), acima de tudo, acho que tenho primeiramente que te agradecer, amiga, obrigado por ter sido durante esse tempo todo como um raio de luz; como um relâmpago a trovar nos céus de minhas tempestades. Toda vez que nos afastamos, levei um arcabouço cravejado de memórias, lembranças das coisas que vivemos, das coisas que você me disse, das coisas que eu disse pra você, e principalmente... das coisas que não dissemos... gestos, expressões faciais e olhares... Pensamentos ultra secretos e desconfiados... Tudo isso que me fez sentar inúmeras vezes para tencionar energicamente os músculos das horas, perscrutando respostas melhores para minhas próprias perguntas. Toda vez que você apareceu, eu chafurdava em crises existenciais muito diferentes umas das outras... De alguma forma, em todas elas você apareceu de formas diferentes também... Mas sempre de maneira mais intensa do que a anterior... Mais madura, mais forte... mais bonita... E cada vez mais foi me encantando e me fazendo refletir que tipo de homem eu era, e que tipo de homem eu quero ser... Que tipo de homem eu invejo? Bom, hoje eu posso dizer com experiência de causa que, certamente invejo um homem que pudesse, em qualquer realidade, ser chamado de seu... Invejo alguém que possa te amar do jeito que você merece e deseja ser amada...

Na infância, desejei uma mulher como você, que escondesse por detrás do olhar, sonhos tão infantis quanto os meus... Ao decorrer da vida, senti o terror endurecido emagrecendo a pureza dos meus sonhos... Ao que parece, as pessoas crescem neste mundo para pararem de sonhar... Porque o mundo e tudo o que há nele parece nos empurrar cada vez mais para o fosso por onde os mortos são consumidos... Onde a alma desaparece, perde o brilho e vira apenas parte de um exército sombrio aguardando o fim do mundo... O pior é que nem saberia dizer ao certo quando foi que deixei de ser criança... Não sei exatamente quando passei a ser chamado de tio pela pivetada da rua... Sei apenas que deixei com que meu brilho se apagasse no olhar do homem que pensei que era... Um homem que pensou encontrar no mundo masculino algum refúgio... Um refúgio ilusório por debaixo de uma casca de chumbo onde nenhum super-homem poderia olhar... E lá tranquei os sonhos que não cabiam neste lugar...

Mas eu me lembro perfeitamente daquela época remota... Me lembro dos meus dias de solidão infinda... agoniante... quando só queria alguém para contar as minhas estórias... Uma companheira... Me achava feio e relento, usava roupas usadas e pobres... gastas... Tinha inveja dos caras fortes e bonitos, os caras que tinham namoradas brancas e perfumadas - tsc! Me lembro como se fosse hoje o quanto eu gostava das ruivas, de pele bem alva, o porque exato não sei; podia ser o rock n' roll, poderia ser as convenções sociais de padrões de beleza, a verdade é que o meu pescoço acompanhava cada cabeleira vermelha a cruzar a rua de meus olhos, acho que apenas não sabia nada da vida, tsc - Tinha inveja também dos caras que dançavam break e faziam cover dos Garotos da Rua de Trás no colégio que eu estudava; tinha inveja dos caras que sabiam tocar violão. Tinha inveja dos que sabiam lutar e dar salto mortal, dos que eram astros do futebol ou qualquer outro esporte (garoto franzino, de alimentação precária, sabe?), tinha inveja dos mentecaptos populares e principalmente, dos que possuíam coisas bonitas que só o dinheiro poderia comprar...

Mas realmente tenho razões para acreditar que ninguém tinha inveja do garoto estranho que passava horas escondido na biblioteca, que andava cantando e falando sozinho o tempo todo... Que vivia brincando e criando personagens para um teatro de ninguém... Às vezes eu percebia um certo tipo de inveja que não lhes durava muito mais que 1 minuto... O tipo de inveja de quando os professores elogiam o seu 10 naquela prova do caralho, ou da cara perplexa da professora nova de inglês da 7ª série ao perceber que o garoto calado conseguia reproduzir com proficiência algumas frases complexas no idioma que ela lecionava numa escola onde, na opinião dela, só deveriam haver nécios fracassados... E nesses momentos, colaboradores de minha desgraça, eu juro que podia perceber os olhos brilhando enquanto olhavam para aquela criatura grotesca que só vestia preto, mas não conseguiam olhar nos meus olhos amargurados de loucura por mais de um segundo, e ao fim de um minuto, suas vidas de espuma voltavam a se fundir com a areia agitada de suas praias super badaladas... Ser inteligente parecia apenas mais um fetiche sem importância ou sem valer o esforço para todos ao meu redor...

Ninguém parecia querer saber de fato como é que este mundo funcionava... Como e por que as coisas eram como eram? Por que as pessoas morriam? Se havia realmente vida após a morte? Se a minha mãe realmente via e ouvia os espíritos, ou se Deus existia? Ninguém parecia realmente se importar com isso... Me lembro de ter me feito essa pergunta antes mesmo de ter dado o meu primeiro beijo, aos 11 anos de idade, numa menina que já tinha ficado com quase todos os caras da rua (Não preciso dizer que me apaixonei por ela, neh? Acho que sempre tive uma preferência pelas putas, e não me arrependo disso, pois sempre me foram as melhores professoras...)... Mas acho que essa insistência em querer saber das coisas é que foi a minha verdadeira ruína... Pois aonde cheguei é impossível retroceder, não há caminho de volta para a total ignorância, nem há fuga suficiente para levar embora toda a carga, toda a dor provocada pelas respostas que encontrei... e principalmente o vazio deixado pelas novas perguntas que são feitas a partir do rombo que alarga a borda da minha realidade... O medo de nunca saber um monte de coisas... Sobre as leis que governam tudo o que eu amo, a Natureza, o Universo, os átomos, as estruturas moleculares, os poemas... Tudo isso que foi atirado num imenso caldeirão de bruxa que irá cozer a sua cabeça até o fim dos tempos...

Na antiga Mitologia Nórdica havia uma Serpente, Níõhöggr é um dragão enorme que habita o mundo subterrâneo (Niflhein, o mais profundo dos 9 mundos), ela engole os corpos dos são enviados para o mundo dos mortos (não, não tentem comparar com inferno cristão, isso é um equivoco tosco e grosseiro), absorvendo suas almas que serão transformadas em soldados no dia do Ragnarok. Por volta do ano 1220, o poeta, historiador, político e legislador islandês, Snorri Sturluson, compilou uma série de narrações que juntamente com a Edda Poética (Edda em Verso, de autores desconhecidos) constituem a mais importante fonte da mitologia nórdica. Segundo a descrição de Snorri, o Níõhöggr,  também chamado de Nidhogg, ou Nidogue,  é um dragão sem asas e sem pernas que come as raízes da Yggdrasil, a árvore que sustenta os nove mundos da Mitologia Escandinava. Ela tem a missão de matar a Árvore e destruir o mundo conhecido para que outro novo surja em seu lugar. As raízes da Yggdrasil impedem que o Nidogue passe para os outros mundos, principalmente Midgard (onde nós habitamos).


(Ti fofa, ela...)

Nidhogg se alimenta dos pecadores, de todos aqueles que jamais entrarão no reino de Valhala, sobretudo os perjuros (quem quebra um juramento, uma promessa feita); o homicídio (quem mata fora de guerra); e o adultério (quando há infidelidade, mentira, enganação entre duas pessoas que supostamente se amam)... Estes são apontados como os mais graves delitos espirituais (sociais) da cultura nórdica medieval... Nidhogg também não é o único ser que habita a árvore, no seu topo reside Hraesvelgr , um gigante que transforma-se em águia sentado nos confins do mundo (extremo mais elevado). No tronco da Yggdrasil mora Ratatosk, um esquilo que troca insultos e palavras invejosas entre a Águia e a Serpente que guerrearão implacavelmente até se exterminarem no advento do fim do mundo nórdico (q.v.  Ragnarok).


Assim como Behemoth e Leviatã (q.v. capítulo anterior), estamos todos fadados à auto-sabotagem, à auto-destruição... Como se houvessem dois egos principais dentro de nós e um estivesse sempre tentando esconder do outro os planos secretos do amanhã; pois caso esse outro descubra, inventará mil motivos para não vê-los acontecer, para termos preguiça, para desistirmos de mudar, de ir, de seguir em frente... de tentar de novo... Neste dia, ouvi muito sobre a coragem de seguir com nossos sonhos, de buscar mundos diferentes, ou de destruir o velho mundo para criarmos algo completamente novo... Partir para podermos nos encontrar... Perder-se das ilusões do que acreditamos ser o Eu... E é por isso que o Medo nos apodera tanto... Pois tudo aquilo que acreditamos ser este Eu, está coberto de ilusão. Todas as suas memórias foram sabotadas, elas estão repletas de sentimentos novos, de novas leituras sobre as mesmas; amores mais intensos, coisas ditas (ou não) que revigoram ou destroem nosso ser... Tudo isso, amontoando os outros fardos que a sociedade nos impõe através desta realidade parca que consumimos... Tudo isso vai roendo as raízes profundos dos nossos mundos ocultos até que retornemos completamente para os braços do Universo, da Terra, do Sol... Aos átomos que daqui a anos inimagináveis constituirão outras galáxias (pois eh, você achou mesmo que a Terra e o nosso Sistema Solar... kkkkk... A Humanidade... Durariam para Sempre? Jura que pensou nisso? Sinto muito, o Universo não foi criado para nós! hahahha!)

Acho que nunca conseguirei acreditar de fato que os erros sejam irremediáveis... Que o tempo tenha passado para nós... Imaginar isso é me perceber exatamente como nossos pais... É que quando ouço aquela velha música do Belquior, tenho a impressão de que todos os nossos pais, nossos ídolos, nossos músicos, poetas, filósofos e personagens prediletos, todos eles discursaram sobre seus próprios erros para que nós talvez tivéssemos alguma possibilidade de salvação, de redenção, de mudança... De acerto... Portanto, aquela música é uma ode à tristeza... Uma ode às pessoas que desistiram umas das outras... E eu, bem... Eu trago este cansaço dolorido de velhas desistências... Ao que parece, eu não valho a pena para ninguém... Acho que ninguém que amei realmente tenha tido vontade de construir algo maior comigo... Bom, mas seria realmente injusto afirmar isso por outras pessoas, então eu só acho mesmo... Sei apenas que vai doer, ver o teu cabelo balançando ao vento, saber de toda a gente jovem reunida à sua volta e eu... Bem, o meu maior medo e nem sequer saber se ocuparei algum lugar especial nas suas lembranças... E da mesma forma que todos desistiram, tenho medo de nunca realizar meus sonhos maiores, tenho medo de desistir de invejar ser um homem que jamais fui... O homem que invejo é sem dúvida um homem pelo qual vale a pena lutar...

Bem, viajo daqui há pouco... Certamente visitarei um outro mundo... Lá tenho uma família que me aguarda como sou... Terei Irmãs... Terei Pais... Terei até um Tio-Avó muito querido... Gostaria mesmo de saber tudo o que me espera antes do meu próprio Ragnarok... Porém, o que é justo e não me falha... Tenho todas essas memórias sabotadas e gastas pelas dores do tempo... Mas apenas as tenho porque tive a coragem de seguir meu coração... Porque tive a coragem de partir ou de ficar quando ele me pediu... Tenho todas estas memórias maravilhosas dos amores que me transformaram em alguém melhor e mais forte para lutar esta minha guerra... Porque assim pude ficar de pé e caminhar em busca de meus sonhos... Tenho orgulho de ainda estar vivo por causa deles... E tenho Orgulho apenas porque sei que Vivi...


XIII - IV - MMXVII


https://www.youtube.com/watch?v=da5hGxi-W_U
(Como Nossos Pais - Belquior)

https://www.youtube.com/watch?v=IHtExPwC100
(Super Homem - A Canção - Caetano Veloso e Gilberto Gil)


domingo, 9 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Segunda Parte

(A Destruição de Leviatã - Gustave Doré, 1865)


II

CIÚME


Sabe que dia é hoje, amiga? Hoje é Domingo de Ramos, a comemoração do dia em que Jesus retornou à sua Sagrada Jerusalém depois de passar quarenta dias meditando no deserto. Lá ele se preparou para o combate que travaria contra um mundo antigo, contra tradições ultrapassadas de um judaísmo colapsante, contra o mal que afetava os seus contemporâneos... E certamente, contra o mal que habitava dentro de si mesmo, contra o medo de seguir a voz do Deus que clamava dentro de seu coração... Preciso confessar aqui que não concordo totalmente com Friedrich quando diz que o único cristão que de fato existiu foi o próprio nazareno. Acredito que Jesus Cristo era sobretudo um yogue, e acho que aqueles que estão dispostos a buscar o caminho da verdade dentro de si mesmo, chegarão a conclusões parecidas com o Messias no deserto... Fazer o bem e abdicar do próprio ego para ver o sorriso daqueles que amam... Para enfrentar a dor que é viver neste mundo e encontrar forças para lutar por um lugar melhor... Esse é o verdadeiro significado da compaixão... Creio que o mundo está cheio de pessoas assim...

Mas Nietzsche não odeia o Cristo, ele se repugna antes de tudo da Igreja, do Cristianismo, porque essa é uma instituição dos Homens, e pensada por homens que não seguiram o caminho do Jovem Galileu... Uma religião que deseja sobretudo o poder... Não preciso me lembrar que a entrada de Cristo em Jerusalém despertou a Inveja de muita gente poderosa... Afinal, o Domingo de Ramos representa a chegada da Esperança, onde os ramos das oliveiras sendo brandidas pelo povo trazem um novo alento àquelas pessoas assoladas pelas guerras, pelas formes, pela opressão do Império Romano e por toda a aridez da Terra Santa...  

Insegurança... Ciúme... Medo... O que os senhores do Judaísmo Ortodoxo naturalmente iriam dizer de um judeu que surge em meio ao caos para pregar uma mensagem de Amor, de perdão infinito, de cuidado com as pessoas? É claro que mataram, pois é assim que fazemos com tudo o que nos amedronta, que nos afronta, que nos mostra o quão errados estamos, que revela nossas fraquezas com palavras simples e carinhosas... A violência é um recurso de egos agonizantes tentando não morrer, pois cada vez que estamos errados, é preciso matar aquele eu que vivia tais crenças, pois ele não poderá coexistir com a nova pessoa que você precisará criar para habitar o mundo com um olhar completamente novo... Amar é difícil, meus amigos, e é por isso que desistimos nas primeiras pedradas que levamos no caminho... Nos esquecemos... Pois só há duas saídas possíveis: ou nos deixamos morrer junto com a nossa verdade imaculada... Ou precisamos nos afastar da mentira que nos mata lentamente todo dia...

Particularmente penso que Jesus é tão filho da Deusa quanto qualquer um de nós... Todos somos porta-vozes destes deuses que nos habitam... Alguns abrem melhor os seus chacras para poder ouvir, interpretar com mais clareza os sinais... Mas isso só faz Jesus parecer-se ainda mais conosco... Um humano, cheio de fraquezas, dúvidas, medos... E é por isso também que a Igreja queimou e negligenciou completamente inúmeros textos, inclusive o muito provável testemunho de Maria Madelena, que acompanhou o yogue no seu florescimento e cujas conversas certamente o ensinaram bastante, o tornaram um ser humano melhor... Pois não posso crer que nem o druida mais proeminente poderia ter aprendido tudo sozinho, meditando, sem se preocupar, sem ouvir o que os outros tinham a dizer; e se Ele pudia entender como Ela se sentia, é porque sabia escutar tudo o que Madalena lhe falava, porque a amava como uma igual... Então, pela primeira vez na História Ocidental, a Humanidade pôde eleger um deus que se sacrifica em prol dos outros, que sacrificou a sua própria vida para passar uma mensagem muito maior do que sua própria carne... Uma mensagem de amor...

Isso me faz lembrar uma estória mais antiga, quando Prometeu roubou dos céus o fogo dos deuses e ensinou a humanidade a caminhar sozinha, a se guiar pelas estrelas, deu-lhes a Astronomia, a Agricultura, a Astrologia, etc (Prometeu é foda!)... Quando o Todo-Poderoso Zeus (de onde vem a palavra Deus que os cristãos usam sem nem sequer refletir o significado) por pura inveja da empatia daquele Titã pelos humanos, uma raça fraca, inferior que merecia apenas ser castigada e subjugada para prestar homenagem aos seus superiores... Prometeu escolheu aguentar todo o castigo porque tinha esperança naquela humanidade, esperança que a conduziria lentamente à correção de tantos erros... Que talvez, um dia, muito distante, surgiria uma humanidade nobre, com homens e mulheres capazes de trabalhar juntos para corrigir os equivocos até mesmo desses tantos anos de dominação de deuses e religiões... Onde cada homem e cada mulher pudessem ser os sacerdotes e sacerdotisas de suas próprias casas, os alquimistas de suas próprias oficinas e ajudarem os próximos a forjarem lugares melhores para todos os habitantes deste paraíso que insistimos ainda em transformar num inferno...

Prometeu agonizou durante eras até que pudesse ser resgatado pelo filho do Onipotente que o prendera... Hércules, assim como Jesus, aparece para desfazer rancores antigos, para dizer ao mundo que ele precisa mudar, dizer a todos nós de que é preciso questionar as tradições, quebrar as correntes que nos prendem aos corvos que dilaceram nosso fígado... Para nos renovar a esperança nos heróis, nas pessoas que amamos, e por quem vale a pena continuar lutando para nos redimir de tantos pecados cometidos por nossos antepassados... A esperança de não cultivarmos uma vida tão sofrida (como nossos pais) para nós e para as futuras gerações...

Hércules foi sem dúvida o filho mais proeminente de Zeus, e de quem sua esposa mais teve ciúmes... Por isso ele foi consagrado a essa deusa... Hércules ( Ἥρα = Hera + κλέος = Gloria) em grego significa "A Glória de Hera", certamente Alcmena quis apaziguar a raiva da Mãe dos Deuses, porém, sabemos que não foi o bastante... Embora a Primeira Dama do Olimpo tenha atazanado a vida do herói durante toda a sua jornada, o trabalho que nos traz de volta a Leviatã é o Segundo... Lá o Filho de Zeus precisa liquidar a famigerada Hidra de Lerna... Uma serpente gigante que duplicava suas cabeças cada vez que o herói esmagava uma... É dona de um hálito venenoso que mata os homens apenas de abrir sua boca, até o cheiro que deixa em seu rastro é capaz de provocar uma enorme agonia. Segundo a tradição, esse monstro foi criado por Hera para matar Hércules, quando a Deusa percebeu que o herói iria finalmente vencer o veneno de sua inveja, mandou um pequeno caranguejo para ferir os calcanhares e distrair Hércules. Sabendo que o inimigo era muitíssimo maior e mais forte, o confuso caranguejo por amor a sua deusa (Hera, deusa da maternidade, portanto, mãe de todas as criaturas), irrompeu contra o herói e a distração quase custou a sua vida. A missão de matar Hércules é descrita com tristeza para o Caranguejo... Mas é assim que a Mitologia Grega da origem à Constelação de Câncer, pois Zeus, admirado com a coragem do crustáceo o elevou aos céus para sempre nos lembrarmos que um amor verdadeiro não maltrata, não deixa espaço para o ciúme doentio tomar conta (tudo bem que esse tal de Zeus era um escroto neh! não serve de exemplo pra nada aqui nesse blog), não se inflama de ódio, não machuca quem ama e não tenta destruir a vida das pessoas. Desde então, aqueles que nascem sob o signo desta constelação, nascem para amar além de tudo, amar e cuidar de tudo o que existe de bom sob esta terra...

(Vaso grego pra vocês não dizerem que é minha mintira, tsc)

Segundo tradições e lendas baseadas no Talmud, Yahweh teria criado o Leviathan juntamente com uma Fêmea no Quinto Dia; outras lendas ainda dizem que estes dois animais seriam duas das criaturas primevas, ou seja, que existiam antes da criação do Céu e da Terra (sim, os textos antigos sempre são contraditórios e abrem espaço para todo o tipo de devaneio). Segundo as mesmas lendas, Jeová teria matado a fêmea do Leviathan para que estes não procriassem e destruíssem o mundo (esse povo de Deus inventa cada coisa doida, neh?), deixando apenas o macho para nos infernizar, hahhaha! Na Bíblia também está descrito que Deus enviará outro de seus demônios para ajudar o Arcanjo Gabriel no Apocalipse, ou seja, na Batalha Final que decidirá o desfecho da Terra... Gabriel não conseguiria sozinho, por isso Javé mandará o Behemoth, um demônio que representa o poder do deserto, em antítese para o poder da água, do oculto, das profundezas do Oceano... Nessa batalha os dois demônios acabariam sendo destruídos, um anularia o outro... Por fim Deus servirá a carne do Leviatã aos justos, ou seja, aos que sobreviverem ao combate final... E com a pele ele fará uma grande tenda para servir o banquete... (Ainda bem que daqui pro final dos tempos a humanidade já terá percebido que não vale a pena comer carne, ainda mais a carne de um demônio que é descrito tão desgraçadamente, ói... acho que é melhor fazer jejum no Juízo Final vú... Vai por mim, vocês não vão querer comer esse troço... hhahah)

E é aqui onde os meus pensamentos se entrelaçam no embaraço de tanta confusão... Existe muita informação que se correlaciona neste imenso quebra-cabeças que é a vida... Não sabemos como e nem porque, mas ao que parece todas as coisas que lemos, que ouvimos, e fazemos parecem fazer parte de um imenso código que precisamos montar para dar sentido à nossa frágil existência... Não posso dizer que não tenho ciúmes de você, amiga... O que sei é que tenho ciúmes da sua meia calça nova... Tenho ciúmes de todas as suas bolsas de viagem às quais não poderei te acompanhar... Tenho ciúmes de seus cabelos esvoaçando em ventos que não trarão o teu perfume ao meu olfato tão sedento do teu cheiro... Mas certamente, não tenho medo de que isso consuma a minha alma... Tenho um Hércules que habita dentro de mim, lutando para me redimir de meus pecados mais antigos... Ostentando ainda uma esperança faminta de ser feliz...

Agora, arranco eu o meu ramo santo de oliveira... E sigo a procissão do domingo perene de minha alma... Para exterminar mais e mais bestas que me impedem de ter alguém especial como você, de ser de alguém tão especial quanto você... E nestas distâncias eu encontro muitas respostas para as perguntas que me afligem... Você me diz, mesmo sem o saberes, os versos que ainda faltam no meu imenso poema tortuoso... Aguardo agora a chegada da Páscoa, dos ovos de chocolate, dos coelhos felizes fornicando em celebração à vida... Uma época onde nenhum Medo poderá furtar qualquer coisa que ainda esteja guardado para quem tenta com todas as suas forças, se transformar a cada dia... Criar asas coloridas como as borboletas e sair voando por ai para amar o mundo sem nenhum impedimento...


IX - IV - MMXVII


https://www.youtube.com/watch?v=kTzrA7YgUi0
(Um Certo Galileu - Padre Zezinho...  Sim! É para vocês se lembrarem dos domingos de sua infância, quando a sua avó ou aquela vizinha ligava essa música de manhã pra fazer a comida... Garanto que se vocês abrirem o coração, vão sentir alguma coisa boa, um alento, uma esperança, ou quiça uma revolta contra a crueldade dos humanos... De qualquer forma... Não tenham medo... Não tenham medo de se permitir...)




quinta-feira, 6 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Primeira Parte


I

INSEGURANÇA


"Você consegue pescar com anzol o Leviatã, ou prender sua língua com uma corda? Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz, ou atravessar seu queixo com um gancho? Você imagina que ele vai lhe implorar misericórdia e falar-lhe palavras amáveis? Acha que ele vai fazer acordo com você, para que o tenha como escravo pelo resto da vida? Acaso você consegue fazer dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho, ou pôr-lhe uma coleira para dá-lo às suas filhas? Poderão os negociantes vendê-lo? Ou reparti-lo entre os comerciantes? Você consegue encher de arpões o seu couro, e de lanças de pesca a sua cabeça? Se puser a mão nele, a luta ficará em sua memória, e nunca mais você tornará a fazê-lo. Esperar vencê-lo é ilusão; apenas vê-lo já é assustador. Ninguém é suficiente corajoso para querer desperta-lo." 
(Jó. Cap. 41; Versículos de 1 - 11)



A Inveja é um prato que não se come. É um prato que te devora, consome a sua alma e te empurra para um caminho de dor que machucará a todos que fizerem parte da longa trajetória da dor por onde sua fome cresce... E quanto mais você desejar algo que não é próprio de você, mais você se perceberá insuficiente, mais desejará o que é dos outros e... mais vazio se sentirá ao findar de tudo... Pois você não terá conquistado nada que possa realmente ser chamado de seu...

Há longas discussões entre Inveja Boa e Inveja Má... Mas no fim das contas, que cuidado tomamos para que isso não nos machuque, não nos persiga..? Quantas vezes paramos para nos perguntar se o que sentimos é de fato Admiração e não essa chamada Inveja Boa? Seja lá como for que vocês pensem, meus amigos distraídos, espero que ouçam as palavras de Jó ao menos uma vez na vida... A Inveja é sobretudo perigosa... Perigosa para todos... Embora o texto se alongue, é preciso continuar a descrevê-lo para que vocês possam demoniza-lo mais precisamente.

" Quando ele se ergue, os poderosos se apavoram; fogem com medo dos seus golpes.  A espada que o atinge nada lhe faz, nem a lança nem a flecha nem o dardo. Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre. As flechas não o afugentam, as pedras das fundas são como cisco para ele. O bastão lhe parece fiapo de palha; o brandir da grande lança o faz rir. Seu ventre é como caco denteado, e deixa rastro na lama como o trilho de debulhar. Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de unguento. Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossem os cabelos brancos do abismo. Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida! Com desdém olha todos os altivos; reina soberano sobre todos os orgulhosos."
(Jó. Ibid. Versículos de 25 - 34)

Desse modo, para um homem invejoso, nada está bom para ele, a tudo ele critica, e tudo o incomoda no seu íntimo... E é daí donde brotam os espinhos que machucarão tanto as suas mãos que, no final do dia, você estará completamente impossibilitado de realizar, por si só, qualquer trabalho belo por você e muito menos pelos outros... Sobrará apenas a Insegurança de não poder fazer nada sozinho; o Ciúmes por quem não precisa mais de você para ser feliz; e o Medo de que tudo conquistado pereça diante de seus olhos, enquanto a sua invejável capacidade de criticar lhe afoga mostrando à sua volta toda a felicidade que você não possui...

Quanto ao monstro descrito por Jó, sua origem remonta lendas e mitos fenícios, o que levou muita gente a crer que esta seria uma criatura pré-histórica que teria sido contemporâneo de uma humanidade primitiva (digo, ainda mais primitiva do que a nossa). Na Demonologia Cristã, o demônio Leviathan (do hebraico antigo, Serpente Tortuosa, mas foi muitas vezes traduzido como monstro marinho ou crocodilo), é considerado um dos quatro príncipes coroados do inferno, o que provavelmente o coloca como o quarto mais poderoso, depois de Lucifer, Beelzebu, Azazel. O demonologista Johannes Wier (1515 - 1588), em sua obra Pseudomonarchia Daemonum, denomina Leviatã como "O Grande Embusteiro", ou "O Grande Enganador", pois, segundo ele, este está presente e triunfa facilmente nos palcos políticos, nos tratados comerciais e nas intrigas palacianas (ixxe, então impera no Congresso Brasileiro, na Presidência da República e no Mercado Internacional, tsc). Talvez seja por isso que a obra renomada de Thomas Hobbes seja tão bem sucedida, hahahaha! O nome condiz perfeitamente com o estado atual da humanidade... Mesquinha, Egoísta e Gananciosa... A fórmula perfeita para a auto-destruíção...

Segundo Hobbes, o Homem em seu Estado Natural é instintivamente  egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não possui conceito de justiça; ele apenas segue os ditames de suas paixões e desejos, temperados com algumas sugestões de sua razão natural, destreinada, primitiva e muitas vezes embrutecida. Assim Thomas Hobbes dá na cara da história a chave de uma guerra que vivemos a milênios... A Inveja é a verdadeira Guerra de Todos Contra Todos!

"Cada homem é inimigo de outro homem, então a vida do homem nesse estado é solitária, pobre, sórdida, brutal e curta." 
(HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, formas e poder de um estado eclesiástico e civil. 1651.)

Outrossim, o grande poeta místico inglês, William Blake (isso mesmo, aquele lá que inspirou o The Doors), dedicou sua atenção ao livro de Jó e em suas peregrinações espirituais (regadas de ópio e outras tantas coisas que os ingleses traficaram às custas de muitas vidas do oriente), onde faz uma descrição bastante imagética desta força representada na figura do Leviathan.

" Debaixo de nós nada mais se via senão uma tempestade negra, até que, olhando para oriente, entre as nuvens e as vagas, divisamos uma cascata de sangue misturada com fogo, e próximo de nós emergiu e afundou-se de novo o vulto escamoso de uma serpente volumosa. Por fim, a três graus de distância, na direção do oriente, apareceu sobre as ondas uma crista incendiada: lentamente elevou-se como um recife de ouro, até avistarmos dois globos de fogo carmesim, dos quais o mar se escapa em nuvens de fumo. Vimos então que se tratava da cabeça do Leviatã a sua fronte, tal como a do tigre, era sulcada por listras verdes e púrpuras. Em breve vimos a boca e as guelras pendendo sobre a espuma enfurecida, tingindo o negro abismo com raios de sangue, avançando para nós com toda a fúria de uma existência espiritual."
(BLAKE, William. O Casamento do Céu e do Inferno. 1794.)

Não, meus senhores! Não estamos seguros diante da humanidade enquanto ainda precisamos possuir as coisas, as pessoas, as mentes das pessoas, os corações das pessoas, a atenção das pessoas... No final das contas, tudo se trata de ter... Mais conforto, mais sexo, mais pessoas trabalhando pra você, bajulando você, dizendo o quanto você é grande e bonito e é tudo da vida delas... No final das contas, a maioria das pessoas querem alguém para diminuir... Para inferiorizar... Menosprezar... Reduzir sua companheira a quase nada para que assim você... Macho Escroto do Caralho... possa ser o soberano senhor de tudo, dono de uma mulher submissa, de auto-estima baixa, ignorante... e assim você, que nada conquistou de grandioso à sua própria custa, pode agora se vangloriar de ser um cara fodão pra caralho e se sentir seguro no seu trono de madeira roubada...

É igualmente por esse motivo que as nações colecionam tanques, ogivas nucleares, submarinos e navios ultramodernos para suas guerras intermináveis... Para ostentar aos seus vizinhos o quanto são poderosos... Para intimidar, para invadir lugares menores e mais fracos... Para oprimir a sua população, para reprimir as liberdades individuais... Tudo isso em nome de uma segurança tola, vã... Frágil... Uma segurança baseada no medo, na força bruta, nas armas de fogo... Mas esse tipo de segurança só trará rancores acumulados, sangue, morte, destruição e mais motivos para ter medo. Do mesmo modo, o machismo moderno se engendra na sociedade... Um homem aprende desde cedo que sua mulher só deve dedicar atenção a ele... Aprendemos que é inconveniente quando outro homem interessante cumprimenta ou puxa assunto com nossas namoradas, ficamos desconfortáveis na presença de outros homens (porque sabemos o quanto homens são escrotos... e perigosos); sabemos o quanto os homens são provocadores (não! isso não é nem coisa de bixa e nem de mulheres, o mundo masculino é cheio de artimanhas para machucar e essa também é uma delas), o quanto eles querem mostrar que exercem poder sobre as pessoas, sobre as namoradas de outrem. E é ai que um homem não muito experiente, ou um homem que não é dado a pensar exaustivamente sobre suas atitudes, se entrega ao pessimismo de uma insegurança destruidora que trará ruína ao relacionamento.

Me lembro de todas as vezes, amiga, todas as vezes que briguei por esse motivo. Por não ter certeza do que a outra pessoa pensava, por sentir a admiração que ela tinha por essa ou aquela pessoa; pelo encantamento como falava de fulano de tal... Essas coisas me desconfortavam, revelavam desejo, probabilidades... e mesmo lutando para controlar o ciúme... é doloroso sentir-se impotente, sentir-se falho, sentir-se insuficiente perante o mundo... Porque no fundo você quer ser tudo para a outra pessoa, o mundo nos ensina isso tanto que acabamos por nos esquecer de ser o melhor para nós mesmos... Essa insegurança nos conduz por um caminho sem volta... O caminho do ciúme cego; o caminho das perguntas e da desconfiança intermináveis; o caminho da paranoia; da investigação desmedida (ou melhor, invasão de privacidade); das brigas inconsequentes; das coisas dilacerantes que são ditas durante esse processo... E no fim, já estão todos tão machucados que é impossível para os membros deste conjunto se re-apaixonarem um pelo outro...

Tenho certeza que poderia me re-apaixonar por qualquer uma das mulheres por quem já fui apaixonado uma vez... Primeiro porque não sou de exercitar as mágoas... Segundo porque realmente acredito que as pessoas mudam... E terceiro, quem seria eu para subestimar uma vontade intumescida de ser feliz? Depois, ninguém desama alguém... Se alguém lhe fez bem um dia... No fundo... Bem lá escondido estará algum amor perdido, esperando poder ser resgatado ainda. Isso explica, amiga, o fato de ter participado de um relacionamento de 7 anos, nos idos da adolescência, durante as vacas gordas de minha juventude... Agora, ao fim dos anos de vacas magras, de fome intensa, de desespero, de erros e lágrimas cansadas; eu creio que posso enxergar tudo o que passou com maior clarividência... Hoje eu vejo que minha insistência não era apenas por insegurança quanto ao futuro... Eu realmente sei que me re-apaixonei muitas vezes por todas as pessoas que amei... Que tentei ao máximo conquistá-las no dia-a-dia... Tentei conquistá-las com o que há de mais esperançoso no meu lado bom e com o que há de mais criativo no meu lado ruim... Mas estes ambos desdobramentos de mim são repletos de falhas e limitações... Não são suficientes para interpretar os códigos do tempo; do silêncio; ou da angústia provocada por meus erros... E ainda que fossem aptos para tal computação, temos que considerar que as pessoas desistem, fogem, mudam, escolhem não querer a responsabilidade de ajudar um homem a se tornar alguém melhor (ou não fazem a mínima ideia de como fazer isso acontecer). No fim, todas as pessoas fizeram de mim alguém melhor... mais sério... muito mais calado... e mais solitário do que nunca antes na minha vida... 

E se esse post é imenso, é porque a insegurança é imensa... Ainda há muito o que se falar dela até que estejamos realmente seguros... Porque ninguém nunca está... Homem, mulher, viado, sapatão... Todos eles moram em um mar de insegurança chamado Mundo... Onde todos têm razão para temer, odiar, desejar, trair, beber demais, ficar muito doido e fazer merda... Todos têm seus motivos e justificativas para tal... E infelizmente levamos muito tempo para descobrir as ilusões todas que nos rodeiam... As ilusões que fortalecem todos os nossos demônios internos... A insegurança nos faz surtar quando não sabemos nada sobre o futuro... Ela mostra que não estamos tão tranquilos quanto achamos que estávamos... Ela revela o menino inseguro chorando em público pela impossibilidade de calcular o próximo passo, a próxima coisa a ser dita... Descobre que talvez não seja ainda tão paciente quanto pensava que era... E no fim, diz a coisa errada por estar assustado e sozinho tempo demais para querer correr o risco de ser desprezado... Desacreditado... Ou apenas tornar-se um amigo quando o desejo ainda corre célere no peito de um garoto sonhador...

Já não sei quanto a você, amiga. Mas eu estou bem, oh, chuva deliciosa que me faz companhia! Eu estou cada vez mais em paz com a minha decisão de continuar o show... Continuar vivendo e ajudando no que me for possível para que as esquifes desses medos possam ser superadas e destruídas... Para que o amanhã de um novo ser humano possa vir acompanhado de bondade, paz, esperança e entendimento... Onde a posse, a propriedade privada, as armas e a insegurança não significarão muito mais do que uma concha encontrada na praia... Você poderá carregá-la de um lado para o outro, mas no fundo terá o sentimento de que aquilo, tão bonito e especial, é na verdade pertencente a todos os seres que partilham conosco esse planeta... E assim também deve ser o coração de um homem e de uma mulher... Livre para amar...


VI - IV - MMXVII




https://www.youtube.com/watch?v=C7FS5sgSt5c
(Leviatã, animação - Inspirada na obra de Thomas Hobbes... Recomendo D+)

https://www.youtube.com/watch?v=ywMJEu8dddA
(1º de Julho - Cassia Eller -Vale a pena conferir a letra do Renato Russo...)


https://www.youtube.com/watch?v=PlrW9SUCINo
(Ulver - Themes from William Blake's The Marriage of Heaven and Hell - Full Album)








segunda-feira, 27 de março de 2017

As Rosas do Cólera - Terceira Parte


III

VAZIO



O ódio é a chama descontrolada que devasta a floresta... É o descuido do caçador de primeira viagem; ou da colonia imatura de férias, que espalha seu lixo por todo o mundo selvagem, sem se preocupar em quantas vidas irá queimar com o descuido de atirar seu cigarro aceso sem pensar... E assim, sem refletir seus próprios erros, sem rever suas ações, você permite que essa raiva queime tudo, toda a floresta de suas palavras tornam-se a aflição de uma fumaça negra que trará a próxima chuva tóxica... E você será o último sobrevivente de um lugar deserto, pois terá afastado de você todos os seres que ainda não matou... E lá permanecerá por milênios, sentado sozinho sobre o vazio cinza do mundo que o seu ódio cego destruiu...

O pior deste vazio é não ter mais nada nem mesmo para poder odiar... E no fim vem o pior de todos os ódios... O ódio que você sente por si mesmo... O ódio que te impede de sentir amor pela célula de ligação mais importante com o todo... Sua alma... A única individualidade que lhe permite perceber o amor existente em todas as coisas do Universo... E ai o seu ódio se derrama na necessidade de possuir... De ver no outro a salvação para o seu imenso nada queimado... E ai tudo te irrita, passa mal nos ônibus lotados e xinga o motorista; deixa a gula tomar conta do mal humor de um estômago dolorido; ou a preguiça que não te permite saltar da cama para enfrentar um mundo que agora você acha horrível... Começa a perder a empatia pelos outros seres vivos... Quer odiar até as formigas que te impediram de dar mais um abraço na pessoa que você gosta... Centenas de formigas penetram a casca da sua blusa e te picam vorazmente até você chegar ao banheiro e querer matá-las todas... Mas ainda há esperança, meus amores... Você ainda pode escolher o certo e respirar mais um pouquinho, enquanto tira todas elas com o máximo de cuidado para que possam ter a chance de viver mais um tantinho e ajudar sua floresta a crescer de novo...

Consigo me lembrar de todas as vezes que senti uma cólera extrema crescer como uma rosa de fogo devorando minhas entranhas... Me lembro de três ou quatro dos narizes que sangrei; da pedrada quebrando dois dedos da mão do meu amigo; me lembro de pisar na cabeça de outros meninos tão frágeis quanto eu... Me lembro gloriosamente de todos os caras mais velhos, mais altos e mais fortes e robustos do que eu... Me lembro de ver a cara de desespero deles todas as vezes que o meu ódio revelou minha loucura e eu quase os matei... Me lembro do carinha repetente da oitava série que vinha me perturbar na 6ª série de um verdadeiro inferno em escola pública; quando me bateu com seus braços musculosos e eu só pude apanhar indefeso enquanto esperava o primeiro vacilo para libertar os cães da minha Vingança... Levantei a sangue frio do chão onde ele me chutou, esperei que me desse as costas, vitorioso... Lembro-me com um certo êxtase que até hoje ainda me arranca um sorriso... A tábua da carteira solta que eu já conhecia, havia o lado do parafuso e o lado liso...(sim, eu tive tempo para escolher...)... Ele se sentou para conversar com as "novinhas" da minha sala... Houve rapidamente um giro de pelo menos uns 190º, onde usei a rotação do meu torso para desferir um golpe que eu sabia que não seria fatal, (sim, eu poderia tê-lo matado se tivesse escolhido bater com quina da madeira) mas eu bati com a parte lisa, bem chapado no lado direito da cara dele! Ele caiu no chão atordoado, permanecendo lá enquanto desfrutávamos de um silêncio sepulcral; nesse momento ele olhou para mim e tenho certeza que viu nos meus olhos um ódio vivo que só se apagaria se ele me matasse naquela hora...Hahaha! Como não teve coragem, preferiu me caguetar para a diretoria...

Assim é quando penso nos dias de minha infância solitária... Cheio de glórias e fracassos, tantos que parecem ter me ocorrido em outra vida... Mas a criança também carrega milhares de traumas... E o ódio ao mundo dos adultos... Quando não tínhamos dinheiro suficiente e minha mãe deixava o meu cabelo crescer bastante antes de mandar cortar... Houve uma época onde eu cortava no sindicado dos rodoviários daquela cidade... Lá, um dia sem mais nem menos, o cara que cortava cabelo resolveu acariciar o pau de uma criança indefesa que nada sabia ou se interessava por essas coisas... Não posso descrever o horror, o medo, a vergonha daquele ato grotesco que certamente ficaria impune... Pois eu jamais teria revelado isso se não fosse pela insistência de vocês, senhores... De todas vocês também, senhoras malvadas que não escutaram meus silenciosos gritos de socorro... Que não deram a mínima para tentar entender como o bêbado e louco se equilibravam na corda bamba de tudo o que sentiam por dentro...

Talvez vocês nunca venham a saber o que significou pra mim... Ter aquela mão magra e infecta sobre o meu nervo miúdo... A eternidade que durou aquele corte de cabelo, enquanto ele roçava os dedos maliciosamente no meu rosto, pousava o pente sobre o meu colo para disfarçar o que realmente estava fazendo... As pessoas as vezes apareciam do lado de fora da sala, mas eu não pude fazer nada, não tive reação sobre aquele ato vil... Ninguém viu a minha cara de sofrimento... E depois a corrida, a fuga, o ódio descarregado naquela poça de lama, sozinho na rua de barro atrás do Centro Comercial de Itabuna... Um lugar horrível onde a urbanização desorganizada coloniza as pessoas... Lá eu senti um ódio  inominável contra a humanidade... Naquele momento eu odiei todas as pessoas que existiam no mundo, porque ali eu sabia que não poderia confiar a ninguém o segredo daquele meu ódio... Todos, absolutamente todos teriam reações que me magoariam enormemente... Ririam de mim, me chamariam de viado, baitolinha, diriam que eu gostei de ter sido molestado... Mas o pior, eu temia ainda mais a minha mãe; eu temia que ela realmente matasse o cara... Mas confesso que temia mais por ela, porque eu sabia que muito provavelmente ela seria encarcerada como louca pelo resto da vida... E depois, sempre teria vergonha de olhar nos olhos caprinos dela... Ao mesmo tempo em que me enchem de ternura e amor, me enchem também de medo... Um medo terrível, como se ela pudesse ler toda a angústia em minha alma...

Eu posso jurar que quis matá-lo eu mesmo, pensei que se tivesse pelo menos uns 17 anos, teria força o suficiente para perfurar o coração dele com uma faca... Era verão, eu tinha acabado de completar 09 anos, achava o mundo infinitamente mais lindo do que acho agora... Mas eu conhecia os caras de 17 anos... Eles eram mais fortes e mais ágeis do que eu, era difícil xingá-los e sair ileso... Eles também tinham uma malícia muitíssimo aguçada... Eram traiçoeiros e vingativos e preferiam nos emboscar na surdina... Mas eu era rápido e inteligente... O segundo mais veloz da minha rua... Pensei então que uma facada pelas costas, mais ou menos na região do pâncreas (sim! eu lia os livros do Ensino Médio de meus irmãos) serviria para que ele nunca mais fizesse aquilo com ninguém... Afinal... por todos os demônios, eu tinha forças para perfurar a carne de um homem por baixo das costelas... hahahahahah! Eu só teria que descer até a feira e roubar uma faca grande de um dos barraqueiros da rua das facas... Essa era a parte mais difícil, pois eu iria tomar surras inimagináveis se fosse pego roubando (por isso eu era muito cauteloso nos meus planos de roubos)... Então eu escolhi comer calado aquele ódio ignorante, passei a odiar a mim mesmo por aquela impotência, aquela impotência desastrosa de não poder mudar nada sobre aquele sentimento... E daí, o ódio pela sociedade só me tornou um cara mal, auto-destrutivo, machista, homofóbico e muito, mas muito nocivo às pessoas que tentaram se aproximar de mim... E aqui estou, oh leitores iluminados, vagabundos de toda a sorte, venho lhes pedir essa ajuda!!!

Gostaria mesmo de poder explicar melhor a você, amiga, a razão de toda a minha calma ao caminhar sozinho pela rua hoje em dia... Mas além da minha vontade oculta de desafiar a vida, de querer encontrar a morte e olhá-la tete a tete... Existe também em mim o orgulho soberbo de um sobrevivente... Na hora que você subestima a minha força, até penso em te dizer como parte de mim se sente feliz em saber que derrotei muitas vezes a macheza e a brutalidade do mundo masculino... Que enfrentei valentões maiores do que eu e os venci com a minha sagacidade, e um pouco da ajuda da natureza, é claro! (Sim! Estou falando de pedras, paus, um ou dois punhados de areia, água; ou qualquer outra coisa que a Mãe proveu para que este moleque franzino pudesse maximizar os danos infligidos na maquinaria da masculinidade...)...  Mas quase que imediatamente, outras partes de mim sentem vergonha e dor ao pensar em todas as pessoas que já machuquei... Nas mães, pais, irmãos e namoradas dos garotos que chegaram em casa depois de uma briga comigo... Fico pensando no ódio refletindo a cara inchada frente ao espelho, tentando compreender ainda os erros cometidos na noite passada... Eu sei... Porque também passei por isso... Também passei pela humilhação de perder inúmeras brigas; de levar chute na cara, de estar indefeso no chão; de quase morrer por uma pedrada que raspou de perto a tintura do meu crânio; de ter que esconder as escoriações da minha mãe para que ela não se intrometesse nas minhas batalhas... Da impotência de nada poder fazer para mudar a minha situação a não ser engolir a humilhação e esperar o corpo sarar... E ai então, esfriar a cabeça e tentar preencher aquele vazio aprendendo novas e melhores maneiras de continuar lutando...

Todo esse fogo consumiu os meus dias como um dragão sem rumo... Num mundo onde as guerras e os caçadores mataram todos os outros dragões que pudessem me fazer companhia neste céu onde eu voo sozinho... E eu sinto esse amor tão imenso e me calo... Sou sempre obrigado a deixar de amar quem me interessa... E o meu Vazio me diz que é porque eu sou amaldiçoado... Ninguém deveria ser obrigado a deixar de gostar de alguém... Principalmente eu, que sei que o meu amor é um Dragão Alado! O último do meu mundo... (Triste! Como naquele filme que o Dragão tem a voz do Miguel Farabella, rs)... Ele vagará este céu nublado à procura de alguém que o compreenda... Que o aceite como é... Está farto de ser considerado um monstro, de ser caçado, de ser desajeitado, de destruir, de queimar as pessoas que ama... Por isso ele voa sempre para mais longe, ele vai em busca de sua Ávalon eterna... No momento, enquanto não acha esse caminho secreto, ele apenas voa! Quem sabe ainda na esperança de tornar-se uma estrela dourada a navegar o negrume da Constelação de Câncer? A verdade é que, no íntimo de suas escamas, este Dragão se sente perdido, fugindo de uma humanidade monstruosa que insiste em ignorar a face de seus próprios vazios no espelho...


XVI - III - MMXVII.



Por muito tempo houve segredos em minha mente
Por muito tempo houve coisas que eu deveria ter dito
Na escuridão eu estava cambaleando até a porta

Para encontrar uma razão para achar o tempo, o lugar, a hora

Esperando pelo sol de inverno e pela fria luz do dia
Os nebulosos fantasmas dos medos da infância
A pressão está se formando e eu não consigo me afastar


(Refrão) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar
Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você


Onde eu estava, eu tinha asas que não conseguiam voar
Onde eu estava, eu tinha lágrimas que não podiam chorar
Minhas emoções congeladas num lago de gelo
Eu não conseguia senti-las, até que o gelo começou a quebrar
Eu não tenho poder sobre isso, você sabe que tenho medo
As paredes que construí estão rachando, a água está se movendo
Estou sendo levado


(Refrão) ...

Lentamente eu acordo, lentamente me levanto
As paredes que construí estão rachando
A água está se movendo
Estou sendo levado

(Refrão 2x) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar

Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você...

(Tears of the Dragon - Bruce Dickinson, Balls to Picasso, 1994.)
https://www.youtube.com/watch?v=D_8epbz-qZ8




Ps: Para quem tiver mais interesses em traumas infantis decorrentes de abusos sexuais. Queiram ver este documentário... Os Monstros de Minha Casa... É com legendas em espanhol mas garanto que não será menos chocante e revoltante por isso...

https://www.youtube.com/watch?v=nq_i0uLyoOQ

domingo, 19 de março de 2017

As Rosas do Cólera - Segunda Parte


II

AFLIÇÃO


"Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos. / O SENHOR viu  que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o o SENHOR arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração."
(Genesis 6: 4-6)

Segundo a lenda, os nefilins referidos acima são como gigantes, ou sentinelas, os homens rudes do passado que na verdade seriam anjos decaídos que desceram juntamente com o Arcanjo Natanaél, quando este veio até o inferno (ou melhor, a Terra) para resgatar a sua amada (que ninguém sabe quem é)... Chegando aqui ele e os seus anjos "possuíram" as mulheres... Porque será que a palavra possuir nos causa grande incômodo neh? Não remete diretamente àquela velha imagem de mulheres sendo arrastadas pelos cabelos? Ou ao Rapto das Sabinas da História Romana, onde a primeira geração de romanos teria sido fruto da captura e do estupro das mulheres de seus vizinhos sabinos? Enfim... O que quero dizer é que toda a História de Deus e dos Homens está repleta de roubo, estupro e assassinato... Para que vamos nos esquecer aqui de dizer a palavra ÓDIO? Então quando a sua mãe repetir de novo que é o fim dos tempos, dizendo que filho ta mantando pai e pai está matando mãe, etc... Diga a ela que é o fim dos tempos dos homens sobre a terra... Porque se Deus estava triste conosco no Dilúvio... Minha senhora, agora eu temo que ele já esteja mesmo é ANGUSTIADO por uma criação tão maldita quanto a nossa... Acho que Deus deveria pensar em se matar em vez de querer mandar outra praga...

(O Rapto das Sabinas - Pietro de Cortona, 1627-1629)

Segundo a demonologia cristã este arcanjo decaído é a personificação da Ira, o nosso querido cagão Azazel... Mas a ira não é exclusividade sua, pois irado também ficou o Olímpico Zeus quando descobriu que Prometeu havia ensinado o Fogo, a Astrologia, a Astronomia, a Agricultura e a porra toda que vocês humanos burros pra caralho nos deixaram esquecer para começar a comprar comida no Bom Preço...(tsc)... Enfim, Zeus resolveu tomar uma com Jeová e uma pá de outros deuses loucos e chapados pra caralho e resolveram abrir as torneiras do céu e fazer chover um cataclismo terrível que traumatizaria tanto a humanidade que seria repetida em diferentes tradições com os nomes mais diversos (q.v. a Epopéia de Gilgamesh - Utanapshtin -  Zoroastro - Noé, etc)... Para os gregos o dilúvio foi um episódio de Deucalião e Pirra, onde Deucalião era filho de Prometeu e Climene, e casou-se com Pirra, sua prima, filha de Epimeteu e da dramática Pandora (primeira maravilhosa das mulheres... Abriu mesmo aquela porra daquela caixa e soltou todos os demônios para atazanar a vida de homens escrotos como nós... Felizmente, ela deixou a ESPERANÇA lá dentro... Talvez o pior de todos os demônios, mas... ainda assim, adorável impedidor do meu suicídio. Obrigado, quirida!)... Ou seja, se nós humanos fazemos tanta merda em nome do ódio... É porque somos realmente a imagem e semelhança de todos estes deuses com Nome que derramam sua imensa ira sobre nós sempre que se arrependem da merda que eles mesmo fizeram...

O que há de comum em todas essas tradições? Hã? A Água? O Dilúvio? A extinção de grande parte da humanidade?... É, ta certo também... Mas achei realmente que vocês teriam um pouco mais de Visão a esse respeito... Todos estes homens que construíram arcas, todos eles conversaram com Deus antes... Todos eles tiveram uma premonição... Um aviso para estarem em determinado lugar, em determinada hora, com determinada coisa... Vocês nunca sentiram isso na vida não???

"Ajoelhada tranquilamente em seu lugar, Morgana pensou: Ora, foi a Visão que desceu sobre eles e eles não compreenderam. Nem se interessaram em compreender; para eles, isso apenas prova que seu Deus era maior do que os outros deuses. O padre falava agora dos últimos dias do mundo, de como Deus derramaria dons de visão e profecia, mas Morgana ficou pensando se algum desses cristãos sabia que tais dons eram comuns, afinal de contas? Qualquer um podia dominar tais poderes, se provasse ser capaz de usá-los de maneira adequada. Mas entre os usos adequados não estava assustar as pessoas comuns com milagres tolos! Os druidas usavam seus poderes para fazerem o bem privadamente, e não para reunirem multidões!"

(BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Ávalon, O Gamo-Rei, p. 44. Ed Imago, 2008.)



Não tenho a autoridade aqui para revelar muito mais sobre esta maravilhosa bíblia do wiccanismo moderno, pois tolos são quem acreditam que Marion Zimmer é apenas uma escritora, meu bem... Tolos demais! Certa feita, o cantor e compositor Almir Sater, no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, declarou que a música Tocando Em Frente havia sido uma obra psicografada... E em se tratando da Visão, quem mais adequados do que os poetas, os artistas, os bêbados, os loucos, as bruxas e os amantes? Aqueles que vivem a chama que arde dentro do peito com o máximo de vigor e energia? Sendo assim, este livro foi psicografado. Acredito que seus intensos anos de pesquisa e treinamento místico a proporcionou o mínimo de visão para escrever tudo o que escreveu sobre a antiga religião celta da Bretanha... Ela teve Visão suficiente para receber a inspiração divina, ou melhor, da Deusa, tal como os antigos profetas dos testamentos... Pois se a Bíblia é inspiração divina... A poesia de qualquer época também eh! As leituras, as músicas, as pinturas... Tudo isso nos aparece como parte do nosso pequeno quebra-cabeças individual... Frases de apoio para que possamos nos reerguer e seguir em frente, lutando por aquilo que ainda queremos conquistar... Nossos mais profundos sonhos... Nossa ligação eterna com o todo nas ondas de rádio que emanam ainda da criação do Universo... (q.v. Astronomia: é possível calcular a idade do Big Bang em aproximadamente 13,5 bilhões de anos devido aos resquícios de ondas de rádio emanadas pela explosão que deu início à matéria...tsc)... É claro que podemos sempre, sempre, sempre interpretar errado as mensagens dos deuses... Mas também podemos tentar de novo e de novo... Insistir é um direito nosso, só precisamos saber como fazê-lo para não ferir ninguém com a nossa chatice, neh?

A angústia verdadeira é saber que não há caminhos perfeitos para a vida... É impossível até mesmo para os profetas da bíblia fugirem da dor e do sofrimento, da solidão e da injustiça de uma vida inteira... O ódio encarnado por Morgana pela Igreja dos cristãos é perfeitamente compreensível vista de fora... Como uma mulher poderosa como ela, de uma linhagem de mulheres maravilhosas que detinham poder e influência em suas sociedades, agora vivem tendo que ser obrigadas a se casarem com homens romanizados, de uma religião completamente falocêntrica, onde a mulher surge como a verdadeira encarnação do mal, do diabo, da vingança, do ódio, da traição... Onde só a Virgem Maria parece não ser uma mulher... É uma Santa, está acima de tudo e de todas, exceto Cristo, que é homem, deus e espirito santo... Tudo junto e sem sentido nenhum...

Assim eu sinto no seu íntimo toda a aflição e a tristeza de seu amor vilipendiado, de um Lancelote amaldiçoado por uma paixão impossível pela Rainha... A tristeza de Artur por ser um rei que jamais poderá agradar a todos... Bem como a missão de José em salvar o Egito e as terras próximas dos 7 anos de vacas magras... Depois de ter sido atirado num poço e vendido como escravo pelos seus irmãos... José certamente viveu angustiado pelo abandono, pela saudade de Israel, pelos dois anos que passou no cárcere de Potifar. Foi jogado lá injustamente por não ter desejado a mulher do oficial e capitão da guarda do faraó, que desejava um homem crente do seu trabalho, temente a Deus... Lá ele foi jogado para ser um interpretador de sonhos... Quem melhor para isso do que um genuíno sonhador??? UM POETA? Todas essas dores que nos impõem e a ignorância que respiramos a todo tempo nesta sociedade nos fizeram acreditar que o poema de Drummond é um poema já acabado... Mas quem sabe não é apenas os poucos anos que José pôde meditar em sua cela?.. Para depois se reerguer para outro sonho sob a Aurora dourada do Sol do Egito?.. E agora José? Você vai continuar amando este mundo? Ele tem solução?

Não sei! Mas estou certo de que, enquanto existirem Josés como eu espalhados por ai... Este poema jamais terá um fim... Ele será um poema de infinitas perguntas e e infinitas tentativas de fazer desta terra um cantinho mais feliz...


IXX - III - MMXVII


JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
a agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir pra Minas,
Minas não há mais.
E agora, José?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
(Carlos Drummond de Andrade, 1942.)


(Agradecimentos especiais a Almir Sater, Elis Regina, CDA e à maravilhosa Marion Zimmer...)

https://www.youtube.com/watch?v=aV7vD9X_uYM
(Alô, alô Marciano - Elis Regina)

https://www.youtube.com/watch?v=SWtjTkixv5M
(Tocando em Frente - Almir Sater - TV Cultura)



sábado, 18 de março de 2017

As Rosas do Cólera - Primeira Parte



I

IRA


Vou começar esse post invocando logo Azazel, pois vou ter mesmo que falar da minha infância, de alguns percalços que passei para entender essa agonia destrutiva que chamamos de raiva; vou ter que falar da Bíblia (De novo); de Morgana (Diva, é claro) e de uma série de filmes e músicas fantásticas que fazem parte do infinito quebra-cabeças que, infelizmente, Newton nunca pôde ouvir... Por isso peço calma, deixem que o demônio invocado dentro de você morra de cólera sozinho, calado e triste, sentado na latrina entupida do seu coração... Quanto ao que sobrar depois que você se livrar de sua raiva? Traga consigo quando aceitar o meu convite para aquele pique-nique... Vamos cagar na beira do rio depois de uma leve digestão, sentados sob a sombra do canto dos passarinhos que namoram entre os galhos já idosos do pé de manga...

Bom! Já que comecei falando do bichinho, vou contar logo a estória dele e ai a gente se livra do Levítico logo, certo? Calma, não se aperreie, não! Azazel é citado no Levítico cap. 16 - O Dia da Expiação - Que corresponde ao ritual judeu ainda hoje, o Yom Kipur (mas calma, hoje é bem diferente)... Azazel é descrito neste trecho (esta é minha interpretação sobre as controvérsias filológicas das traduções) como o "bode emissário", expressão que provavelmente inaugurou na tradição popular o famigerado "bode expiatório" que utilizamos nas mais diversas línguas modernas... Vejamos porque: neste ritual os hebreus teriam sacrificado um bode (Sim! eles tiraram as vísceras, os excrementos e o que não presta, pra queimar... Ou seja, os hebreus também são macumbeiros... Todo mundo faz trabalho e a Bíblia ensina como fazer essas bruxaria tudo!) - (Não façam! Existem maneiras mais civilizadas de conversar com o Universo, gente!)... Um segundo bode, no entanto, receberia sobre a cabeça as confissões dos pecadores e seria guiado até o deserto, onde provavelmente morreu de fome, tadinho, no sol quente da porra só pra que um bando de humano fila da puta pudesse se sentir um pouquinho melhor pelas merdas que fizeram (fazem)...

Levítico 16:22 "O bode levará consigo todas as iniquidades deles para um lugar solitário." 

Há também um livro banido do Antigo Testamento tanto por cristãos quanto por judeus. Trata-se do Livro de Enoque, resgatado por um explorador escocês na Etiópia em 1773. Neste livro, o dito profeta conta a história dos 200 anjos decaídos que foram liderados por Azazel e desceram até a Terra atraídos pela beleza das mulheres... Vieram estuprá-las, claro neh! A Bíblia toma cuidado para não revelar essas sutilezas dos homens... O universo humano, sobretudo o masculino é sempre assim! Sempre interessado a esconder aquilo que incomoda, que faz mal à consciência, que trás desconforto... E a quem leva todo esse pecado, resta o que se não o ódio? À todos aqueles que levam a culpa do fracasso, do término, da falta, da mágoa... Todas as acusações de ter sido precipitado, impulsivo... todas as fragilidades do não saber o que fazer direcionadas depois a esse apego a um sentimento quente e destrutivo que parece sempre pronto para consumir tudo... Assim o nosso demônio é eleito pela demonologia cristã como o 5º Demônio dos Pecados Capitais... A Ira!

A raiva, esse sentimento tolo que só causa mal... Principalmente ao próprio ser que odeia (ói minino, uma série de radicais livres fudendo tudo ai por dentro.)! O odiado, na maioria das vezes está cagando pro que você ta sentindo... a menos quando você é um crente escroto e resolve acabar com a vida de alguém que não partilha da mesma opinião que você, como é o caso de Balim no capítulo 3 da 3ª parte das Brumas de Ávalon (O Gamo-Rei). O assassinato Da Sacerdotisa da Deusa perante o trono foi provocado justamente pela raiva incompreensiva deste homem rude por aquilo que ele não compreendia... E o que é a raiva senão a nossa incapacidade de compreender o que está posto diante do nosso nariz?... Raiva de um amor incorrespondido... Raiva de uma traição, de uma mentira... De uma provocação... De uma opinião diferente... Tudo isso revela nosso próprio medo e nossa insegurança em relação aos nossos próprios sentimentos... Ou seja, tem muito mais que ver consigo do que com o outro... A raiva intumescida levou Balim à loucura a ponto de abrir o crânio de uma mulher desarmada com um machado... Não muito diferente dos milhares de casos de assassinatos que o mundo presencia todos os dias por decorrência da insegurança masculina...

Hoje penso em todas as coisas tristes que já disse nos momentos de intensa raiva... Em todas as portas de armário que já quebrei com a cabeça quando me tiravam do sério... Em todas as brigas na porta do colégio... Em todas as discussões com as pessoas amadas que igualmente não me compreenderam... E a incompreensão é a chave para o ódio... Mas como poderia o ódio contribuir para algum entendimento, meus senhores? Como? É um fogo que só faz arrasar e não constrói nada... Não é como a chama viva do espírito imortal que carrego na esperança do meu coração... Não! Não quero alimenta-lo pela eternidade... Sentir ódio não permite nem que percebamos a corrupção em nosso país, os maus tratos sofridos pelo trabalhador todo dia; a forma como a cidade é pensada para que tenhamos que comprar mais e mais remédios por decorrência do estresse de pegar um ônibus lotado depois de ter esperado sob o sol e chuva cujos pontos dos mesmos não protegem... É como a carne, por exemplo, uma energia que concede uma força efêmera e ilusória... Todos deveriam saber que os lipídios da gordura animal são muito mais rapidamente consumidos e muito mais tóxicos do que uma boa gordura vegetal de uma semente girassol, por exemplo...tsc..!

Já to ficando é com raivinha dessa porra deste capítulo... Vou acabar por aqui e e me preparar logo pro próximo... Porque Morgana Falará através de mim sobre o amor mal correspondido, sobre o ódio à Igreja dos padres,  e sobre um monte de outras coisas que ela quiser falar... No meu corpo ela pode tudo o que ela quiser...

Beijos pras que me odeiam...


XVIII - III - MMXVII


Ps: E pra quem gosta de zoadas incompreensíveis... Fiquem ai com o album Wrath, do Lamb of God

https://www.youtube.com/watch?v=lq9cpVUDxdc
(Ira - Cordeiro de Deus)

Ou se preferirem, podem levar os dois pecados capitais de uma só vez com a maravilhosa da Megh Stock:

https://www.youtube.com/watch?v=TP_PqXUu61w
(Ódio - Luxúria)


Muito cuidado, seu moço... Com "o veneno que eu tomo querendo que o outro morra!"




quinta-feira, 16 de março de 2017

Indolência

Aaaaaaaaaaaaaiiii! Que preguiça de começar esse post.........zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz



Mas é que Sammy estava tão triste... Como um pós Summer... Ou o Verão da estátua desnuda do Museu de Arte da Bahia que acabou de receber a visitação dos primeiros ensopados pelas águas do mês março... To com preguiça de pesquisar mais sobre esse cabrunco desse demônio maldito que me tira a ânima... A vontade de viver... De sair de casa para enfrentar o mundo... Mas felizmente hoje eu tomei um banho no meu mais forte colírio... Tomei um banho de água fresca (maravilhosamente clara a água...) e não fumei aquele beck que sempre me faz faltar o trabalho...


Se continuar por ai... Belphegor merecerá o capítulo mais curto desta página... Só vou dizer que, ao que parece, este demônio também tem origem na figura mediterrânica de Baal... Era adorado pelos Moabitas em Peor (Segundo à Bíblia, perto do rio Eufrates; quode. vide. Números, capítulos 22; 24 e 25)... Há também uma alusão aos casos transcorridos nesses capítulos em três versículos do Apocalipse (q.v. Apocalipse 2: 14-17), onde esse deus pagão matou 24 mil israelitas que aparentemente comeram comida estragada no deserto e se foderam... Resultado... Deus falou com Moisés: "Prenda todos os chefes desse povo, enforque-os diante do Senhor, à luz do sol, para que o fogo da ira do Senhor se afaste de Israel" ... Barril, vú pivete! Mais fácil resolver o problema responsabilizando os outros do que meditando em si mesmos! E assim foi feito... O que Deus manda é lei, já não sabe???

Bom! Para mais informações sobre esse assunto entediante: (queira ver o wikipédia, pois para quem não sabe porra nenhuma, saber qualquer estria a mais é melhor do que cultivar na pele aquelas velhas varizes da total ignorância)... É menos trabalhoso do que sentar naquelas cadeiras de plástico pra tomar sei quantas caixa de sckol, sem considerar o estrago que a indústria de cerveja causa no físico e no bolso do cidadão brasileiro... Sem falar no psicológico neh? Já viu quantas brigas e mortes são resultado da letargia dos bares???


Povos mortos por preguiça ou não... Volto à minha própria indignação... Primeiro o devaneio sobre a própria palavra à qual o demônio é associado... Indolência é uma palavra tão bonita, não? (Lembra-me as palavras Índole e Malemolência... com um certo tom de lerdeza...)... E ai voltamos à estaca zero... É um demônio muito triste... Tido como o dono do Primeiro Circulo do Inferno... O que dá mais trabalho de passar pq...No fundo todo mundo sabe o que tem de fazer para mudar as coisas ruins que atravancam a vida... Mas ninguém faz pq dá trabalho pra caralho... Bicho... MUDAR É UM EXERCÍCIO FÍSICO FATIGOSO...

Tenho preguiça de tudo... Tenho preguiça de brigas... Tenho preguiça de ouvir as pessoas conversarem qualquer coisa nas festas... Tenho preguiça de ouvir os outros homens resmungando: Nossa bicho, olha que mulher gostosa! Olha que bunda, rapa?... et caetera pra caralho! ... Mas também tenho preguiça de sofrer... De encarar os meus medos e procurar a saída certa para os problemas que me afligem... De levantar a bunda da cadeira e sair já! Agora! ... em busca daqueles sonhos que ainda não conquistei... Tenho preguiça de errar, de novo e de novo... Tenho preguiça de afastar de mim as pessoas que eu gosto quando na verdade to tentando fazer a coisa certa... Tenho preguiça de ser tão humano e tão frágil e pecador como eu sou... E por preguiça tenho certeza que deixo isso tudinho acontecer sem que eu possa fazer nada além de ter preguiça...

Por isso sento nos bares... Vou de bar em bar... Seja o bar do "Emerald"; seja o Quintal, ou seja o Nó... E até a tia Marina... No final é sempre um adiamento de evitar um mal que venho provocando a mim mesmo há uns 15 anos... Desde que me sentei naquela árvore na praça dos namorados e bebi aqueles dois copos de Dom Bosco em cima do galho... Quando desci, pulei e quase quebrei o queixo ao meio no meu próprio joelho... Só serviu para as gurias mais velhas rirem da minha unânime figura bêbada e deplorável... Ai como tenho preguiça delas também!!!


Então escutando os ventos da mudança... Já pensou se nós pudéssemos estar tão próximos? E não sei porque, mas posso sentir isso em todos os lugares... Como aquela lanchonete verde que meta-meta algo me disse que comprasse dois tofú com brócolis aquele dia...(jamais tivera feito isso)... E quanto à magia do momento? Onde as crianças do amanhã ainda sonham... Eu irei agora abrir minhas asas para longe destes bares sem saída... Eu sei que preciso me livrar dessa angústia que só dificulta a minha vida... A loucura, meu apego à tristeza... Esse carma que carrego desde a infância por preguiça de tentar descobrir um movimento mais difícil para minha cabeça...

Esse medo me fez a vida inteira me sentir debilitado... Fui tímido na infância, tive baixa-estima na adolescência (principalmente por pesar abaixo de 50 quilos)... Mas bem pior que isso é que agora... Semiadulto... A minha preguiça de mudar não atinge só a mim... Meu mal já se tornou tão grande que hoje eu vejo o meu esquelético corpo debilitado refletir na preocupação dos meus amigos... Que sabem que eu não durmo a dias e não consigo comer quando bebo sem parar... Sei que isso gera a insegurança que afasta o Mundo que tanto desejo para longe das penas que ainda não deixei crescer...



Por isso velho Sammy... Se você costuma ser tão arrogante ao se lembrar de quem na verdade é? Por que então não consegue ser feliz em todos esses bares? ... Pois você sabe que poderia fazer bem melhor do que isso... Afinal você é um homem livre... Então! Larga de preguiça e abra suas asas... Esparrame suas penas pelos céus... E esteja  livre para fazer soar o sino da liberdade para a paz do seu espírito...


Sammy was low
Just watching the show
Over and over again
Knew it was time
He'd made up his mind
To leave his dead life behind

His boss said to him

"Boy, you'd better begin
To get those crazy notions right out of your head
Sammy, who do you think that you are?
You should've been sweeping up the Emerald bar"

Spread your wings and fly away

Fly away, far away
Spread your little wings and fly away
Fly away, far away
Pull yourself together
'Cos you know you should do better
That's because you're a free man

He spends his evenings alone in his hotel room

Keeping his thoughts to himself he'd be leaving soon
Wishing he was miles and miles away
Nothing in this world, nothing, would make him stay

Since he was small

Had no luck at all
Nothing came easy to him
Now it was time
He'd made up his mind
"This could be my last chance"

His boss said to him

"Now listen, boy
You're always dreaming
You've got no real ambition
You won't get very far
Sammy, boy, don't you know who you are?
Why can't you be happy at the Emerald bar?"

So, honey

Spread your wings and fly away
Fly away, far away
Spread your little wings and fly away
Fly away, far away
Pull yourself together
'Cos you know you should do better
That's, because you're a free man
Come on, honey


(Spread Your Wings - Queen)



XVI - III - MMXVII.


(Agradecimentos especiais à Klaus Meine, pela especial composição da música Wind of Change para a comemoração dos ventos de mudança que sacudiram a Europa a partir da queda do Muro de Berlim em 1989...)


https://www.youtube.com/watch?v=bmyav5IoVTM 
( Esparrame Suas Asas - Rainha. 1977)

https://www.youtube.com/watch?v=2wYOKQ_tB2I
(Ventos de Mundaça - Escorpiões, 1990)

https://www.youtube.com/watch?v=oIrLjOVHLcU
(Alívio em Gotas - Michelle Saimon - por Maycon Jhossys)