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domingo, 27 de agosto de 2017

A Cegueira da Terra, II



II


Hoje foi um dia meio apagado... Apesar de tanta luz lá fora... Habitando outros corpos... Sorrindo... Hoje foi um dia que só quis mesmo dormir... Me entorpecer... Desligar a parte racional do Cérebro... Rir de qualquer coisa... De nada... De tudo... Da minha desgraça... Da desgraça humana... Dos equívocos humanos... Das tentativas de ser feliz... De fazer tudo o que quer... Sem impedimento... Sem ameaças de loucura... Sem lembrar da gravidade... Tudo isso junto concentrando a vontade de fazer direito... De usar a única chance que tenho por garantia... A vida...

Pois eh... A vida! Talvez seja uma única cartada atirada sobre o tabuleiro...

A única chance de tentar um Az... Sobre O Blefe... A seta atirada contra aquilo que tenta a todo custo nos fazer desistir e não acreditar mais nas ciladas que muitas vezes nós mesmos cavamos pra si... Pra nos resgatar a nós mesmos do buraco das acomodações... Dos medos... Pra nos tirar daquela zona de conforto que construímos para evitar sofrer ainda mais... Mas que pobre garantia nós temos de não estarmos construindo outras prisões?

Ou Você Também Pode...

Acreditar, por exemplo... Que talvez aja uma pessoa que seja inesquecível. Sabe, daquele jeito? Tipo... Daquele jeito que te faça, apesar de todo sofrimento, sentir um alívio de pensar que talvez ela proporcione algo tão gigantesco (um sentimento) que te polparia de passar aquilo de novo por outra pessoa... Que exista algo tão forte que te cegue ao ponto de você precisar descobrir dentro de si um olho ainda maior... Um olho invisível que te permita perceber que tudo é infinito do jeito que é... Infinito ao ponto de gritar dentro de si dizendo... 

A busca acabou! Hoje eu senti o Infinito ardendo dentro de mim...

Sim! Eu sou um pregador do Evangelho do Infinito!

Um Evangelho que manda dizer aos mais altos pontífices que reconheçam a suprema humanidade de Jesus... Que reconheçam que também Mohamed, Sidarta, Lao-Tse e tantos outros são igualmente outras células finitas deste Deus Infiníto que, mesmo possuindo todos, não há nenhum nome que um mero ser humano poderia dar...

E tampouco fala conosco exclusivamente por meio de signos tão frágeis quanto as palavras... Pois... Se digo todas estas blasfêmias pela inspiração do Diabo (Quem criou o Diabo se não este mesmo Deus Infinito e Onipotente?), então por que todos os infames adoradores do medo não me entendem? Acho que Deus fala através de mecanismos diferentes, para células diferentes de seu maravilhoso e inimaginável corpo... 

Perdoe-me Mãe, pois pequei...

Só queria dormir e me esquecer de tudo isso... E este é o meu maior pecado... Renegar toda a dor que me permite recriar estas coisas... Estes sonhos... Estes deuses... Estas explicações para angústias tão transformadoras quanto as minhas...

Perdoe-me Mãe, pois pequei...

Não sabia que a senhora era a paridora de todas as estrelas do Universo... Não sabia que era esta força que me amparava no sorriso das flores que pouco a pouco começam a despertar com as canções vibrantes dos passarinhos... Estes jovens passarinhos que voam em rasantes tão poderosos que, até um pobre homem ignorante como eu, consigo ouvi-los quando fecho os olhos por muito tempo e penso... 

Quem sou eu senão isso tudo que está acontecendo agora?

XXVI - VIII - MMXVII

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Primeira Parte


I

INSEGURANÇA


"Você consegue pescar com anzol o Leviatã, ou prender sua língua com uma corda? Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz, ou atravessar seu queixo com um gancho? Você imagina que ele vai lhe implorar misericórdia e falar-lhe palavras amáveis? Acha que ele vai fazer acordo com você, para que o tenha como escravo pelo resto da vida? Acaso você consegue fazer dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho, ou pôr-lhe uma coleira para dá-lo às suas filhas? Poderão os negociantes vendê-lo? Ou reparti-lo entre os comerciantes? Você consegue encher de arpões o seu couro, e de lanças de pesca a sua cabeça? Se puser a mão nele, a luta ficará em sua memória, e nunca mais você tornará a fazê-lo. Esperar vencê-lo é ilusão; apenas vê-lo já é assustador. Ninguém é suficiente corajoso para querer desperta-lo." 
(Jó. Cap. 41; Versículos de 1 - 11)



A Inveja é um prato que não se come. É um prato que te devora, consome a sua alma e te empurra para um caminho de dor que machucará a todos que fizerem parte da longa trajetória da dor por onde sua fome cresce... E quanto mais você desejar algo que não é próprio de você, mais você se perceberá insuficiente, mais desejará o que é dos outros e... mais vazio se sentirá ao findar de tudo... Pois você não terá conquistado nada que possa realmente ser chamado de seu...

Há longas discussões entre Inveja Boa e Inveja Má... Mas no fim das contas, que cuidado tomamos para que isso não nos machuque, não nos persiga..? Quantas vezes paramos para nos perguntar se o que sentimos é de fato Admiração e não essa chamada Inveja Boa? Seja lá como for que vocês pensem, meus amigos distraídos, espero que ouçam as palavras de Jó ao menos uma vez na vida... A Inveja é sobretudo perigosa... Perigosa para todos... Embora o texto se alongue, é preciso continuar a descrevê-lo para que vocês possam demoniza-lo mais precisamente.

" Quando ele se ergue, os poderosos se apavoram; fogem com medo dos seus golpes.  A espada que o atinge nada lhe faz, nem a lança nem a flecha nem o dardo. Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre. As flechas não o afugentam, as pedras das fundas são como cisco para ele. O bastão lhe parece fiapo de palha; o brandir da grande lança o faz rir. Seu ventre é como caco denteado, e deixa rastro na lama como o trilho de debulhar. Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de unguento. Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossem os cabelos brancos do abismo. Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida! Com desdém olha todos os altivos; reina soberano sobre todos os orgulhosos."
(Jó. Ibid. Versículos de 25 - 34)

Desse modo, para um homem invejoso, nada está bom para ele, a tudo ele critica, e tudo o incomoda no seu íntimo... E é daí donde brotam os espinhos que machucarão tanto as suas mãos que, no final do dia, você estará completamente impossibilitado de realizar, por si só, qualquer trabalho belo por você e muito menos pelos outros... Sobrará apenas a Insegurança de não poder fazer nada sozinho; o Ciúmes por quem não precisa mais de você para ser feliz; e o Medo de que tudo conquistado pereça diante de seus olhos, enquanto a sua invejável capacidade de criticar lhe afoga mostrando à sua volta toda a felicidade que você não possui...

Quanto ao monstro descrito por Jó, sua origem remonta lendas e mitos fenícios, o que levou muita gente a crer que esta seria uma criatura pré-histórica que teria sido contemporâneo de uma humanidade primitiva (digo, ainda mais primitiva do que a nossa). Na Demonologia Cristã, o demônio Leviathan (do hebraico antigo, Serpente Tortuosa, mas foi muitas vezes traduzido como monstro marinho ou crocodilo), é considerado um dos quatro príncipes coroados do inferno, o que provavelmente o coloca como o quarto mais poderoso, depois de Lucifer, Beelzebu, Azazel. O demonologista Johannes Wier (1515 - 1588), em sua obra Pseudomonarchia Daemonum, denomina Leviatã como "O Grande Embusteiro", ou "O Grande Enganador", pois, segundo ele, este está presente e triunfa facilmente nos palcos políticos, nos tratados comerciais e nas intrigas palacianas (ixxe, então impera no Congresso Brasileiro, na Presidência da República e no Mercado Internacional, tsc). Talvez seja por isso que a obra renomada de Thomas Hobbes seja tão bem sucedida, hahahaha! O nome condiz perfeitamente com o estado atual da humanidade... Mesquinha, Egoísta e Gananciosa... A fórmula perfeita para a auto-destruíção...

Segundo Hobbes, o Homem em seu Estado Natural é instintivamente  egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não possui conceito de justiça; ele apenas segue os ditames de suas paixões e desejos, temperados com algumas sugestões de sua razão natural, destreinada, primitiva e muitas vezes embrutecida. Assim Thomas Hobbes dá na cara da história a chave de uma guerra que vivemos a milênios... A Inveja é a verdadeira Guerra de Todos Contra Todos!

"Cada homem é inimigo de outro homem, então a vida do homem nesse estado é solitária, pobre, sórdida, brutal e curta." 
(HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, formas e poder de um estado eclesiástico e civil. 1651.)

Outrossim, o grande poeta místico inglês, William Blake (isso mesmo, aquele lá que inspirou o The Doors), dedicou sua atenção ao livro de Jó e em suas peregrinações espirituais (regadas de ópio e outras tantas coisas que os ingleses traficaram às custas de muitas vidas do oriente), onde faz uma descrição bastante imagética desta força representada na figura do Leviathan.

" Debaixo de nós nada mais se via senão uma tempestade negra, até que, olhando para oriente, entre as nuvens e as vagas, divisamos uma cascata de sangue misturada com fogo, e próximo de nós emergiu e afundou-se de novo o vulto escamoso de uma serpente volumosa. Por fim, a três graus de distância, na direção do oriente, apareceu sobre as ondas uma crista incendiada: lentamente elevou-se como um recife de ouro, até avistarmos dois globos de fogo carmesim, dos quais o mar se escapa em nuvens de fumo. Vimos então que se tratava da cabeça do Leviatã a sua fronte, tal como a do tigre, era sulcada por listras verdes e púrpuras. Em breve vimos a boca e as guelras pendendo sobre a espuma enfurecida, tingindo o negro abismo com raios de sangue, avançando para nós com toda a fúria de uma existência espiritual."
(BLAKE, William. O Casamento do Céu e do Inferno. 1794.)

Não, meus senhores! Não estamos seguros diante da humanidade enquanto ainda precisamos possuir as coisas, as pessoas, as mentes das pessoas, os corações das pessoas, a atenção das pessoas... No final das contas, tudo se trata de ter... Mais conforto, mais sexo, mais pessoas trabalhando pra você, bajulando você, dizendo o quanto você é grande e bonito e é tudo da vida delas... No final das contas, a maioria das pessoas querem alguém para diminuir... Para inferiorizar... Menosprezar... Reduzir sua companheira a quase nada para que assim você... Macho Escroto do Caralho... possa ser o soberano senhor de tudo, dono de uma mulher submissa, de auto-estima baixa, ignorante... e assim você, que nada conquistou de grandioso à sua própria custa, pode agora se vangloriar de ser um cara fodão pra caralho e se sentir seguro no seu trono de madeira roubada...

É igualmente por esse motivo que as nações colecionam tanques, ogivas nucleares, submarinos e navios ultramodernos para suas guerras intermináveis... Para ostentar aos seus vizinhos o quanto são poderosos... Para intimidar, para invadir lugares menores e mais fracos... Para oprimir a sua população, para reprimir as liberdades individuais... Tudo isso em nome de uma segurança tola, vã... Frágil... Uma segurança baseada no medo, na força bruta, nas armas de fogo... Mas esse tipo de segurança só trará rancores acumulados, sangue, morte, destruição e mais motivos para ter medo. Do mesmo modo, o machismo moderno se engendra na sociedade... Um homem aprende desde cedo que sua mulher só deve dedicar atenção a ele... Aprendemos que é inconveniente quando outro homem interessante cumprimenta ou puxa assunto com nossas namoradas, ficamos desconfortáveis na presença de outros homens (porque sabemos o quanto homens são escrotos... e perigosos); sabemos o quanto os homens são provocadores (não! isso não é nem coisa de bixa e nem de mulheres, o mundo masculino é cheio de artimanhas para machucar e essa também é uma delas), o quanto eles querem mostrar que exercem poder sobre as pessoas, sobre as namoradas de outrem. E é ai que um homem não muito experiente, ou um homem que não é dado a pensar exaustivamente sobre suas atitudes, se entrega ao pessimismo de uma insegurança destruidora que trará ruína ao relacionamento.

Me lembro de todas as vezes, amiga, todas as vezes que briguei por esse motivo. Por não ter certeza do que a outra pessoa pensava, por sentir a admiração que ela tinha por essa ou aquela pessoa; pelo encantamento como falava de fulano de tal... Essas coisas me desconfortavam, revelavam desejo, probabilidades... e mesmo lutando para controlar o ciúme... é doloroso sentir-se impotente, sentir-se falho, sentir-se insuficiente perante o mundo... Porque no fundo você quer ser tudo para a outra pessoa, o mundo nos ensina isso tanto que acabamos por nos esquecer de ser o melhor para nós mesmos... Essa insegurança nos conduz por um caminho sem volta... O caminho do ciúme cego; o caminho das perguntas e da desconfiança intermináveis; o caminho da paranoia; da investigação desmedida (ou melhor, invasão de privacidade); das brigas inconsequentes; das coisas dilacerantes que são ditas durante esse processo... E no fim, já estão todos tão machucados que é impossível para os membros deste conjunto se re-apaixonarem um pelo outro...

Tenho certeza que poderia me re-apaixonar por qualquer uma das mulheres por quem já fui apaixonado uma vez... Primeiro porque não sou de exercitar as mágoas... Segundo porque realmente acredito que as pessoas mudam... E terceiro, quem seria eu para subestimar uma vontade intumescida de ser feliz? Depois, ninguém desama alguém... Se alguém lhe fez bem um dia... No fundo... Bem lá escondido estará algum amor perdido, esperando poder ser resgatado ainda. Isso explica, amiga, o fato de ter participado de um relacionamento de 7 anos, nos idos da adolescência, durante as vacas gordas de minha juventude... Agora, ao fim dos anos de vacas magras, de fome intensa, de desespero, de erros e lágrimas cansadas; eu creio que posso enxergar tudo o que passou com maior clarividência... Hoje eu vejo que minha insistência não era apenas por insegurança quanto ao futuro... Eu realmente sei que me re-apaixonei muitas vezes por todas as pessoas que amei... Que tentei ao máximo conquistá-las no dia-a-dia... Tentei conquistá-las com o que há de mais esperançoso no meu lado bom e com o que há de mais criativo no meu lado ruim... Mas estes ambos desdobramentos de mim são repletos de falhas e limitações... Não são suficientes para interpretar os códigos do tempo; do silêncio; ou da angústia provocada por meus erros... E ainda que fossem aptos para tal computação, temos que considerar que as pessoas desistem, fogem, mudam, escolhem não querer a responsabilidade de ajudar um homem a se tornar alguém melhor (ou não fazem a mínima ideia de como fazer isso acontecer). No fim, todas as pessoas fizeram de mim alguém melhor... mais sério... muito mais calado... e mais solitário do que nunca antes na minha vida... 

E se esse post é imenso, é porque a insegurança é imensa... Ainda há muito o que se falar dela até que estejamos realmente seguros... Porque ninguém nunca está... Homem, mulher, viado, sapatão... Todos eles moram em um mar de insegurança chamado Mundo... Onde todos têm razão para temer, odiar, desejar, trair, beber demais, ficar muito doido e fazer merda... Todos têm seus motivos e justificativas para tal... E infelizmente levamos muito tempo para descobrir as ilusões todas que nos rodeiam... As ilusões que fortalecem todos os nossos demônios internos... A insegurança nos faz surtar quando não sabemos nada sobre o futuro... Ela mostra que não estamos tão tranquilos quanto achamos que estávamos... Ela revela o menino inseguro chorando em público pela impossibilidade de calcular o próximo passo, a próxima coisa a ser dita... Descobre que talvez não seja ainda tão paciente quanto pensava que era... E no fim, diz a coisa errada por estar assustado e sozinho tempo demais para querer correr o risco de ser desprezado... Desacreditado... Ou apenas tornar-se um amigo quando o desejo ainda corre célere no peito de um garoto sonhador...

Já não sei quanto a você, amiga. Mas eu estou bem, oh, chuva deliciosa que me faz companhia! Eu estou cada vez mais em paz com a minha decisão de continuar o show... Continuar vivendo e ajudando no que me for possível para que as esquifes desses medos possam ser superadas e destruídas... Para que o amanhã de um novo ser humano possa vir acompanhado de bondade, paz, esperança e entendimento... Onde a posse, a propriedade privada, as armas e a insegurança não significarão muito mais do que uma concha encontrada na praia... Você poderá carregá-la de um lado para o outro, mas no fundo terá o sentimento de que aquilo, tão bonito e especial, é na verdade pertencente a todos os seres que partilham conosco esse planeta... E assim também deve ser o coração de um homem e de uma mulher... Livre para amar...


VI - IV - MMXVII




https://www.youtube.com/watch?v=C7FS5sgSt5c
(Leviatã, animação - Inspirada na obra de Thomas Hobbes... Recomendo D+)

https://www.youtube.com/watch?v=ywMJEu8dddA
(1º de Julho - Cassia Eller -Vale a pena conferir a letra do Renato Russo...)


https://www.youtube.com/watch?v=PlrW9SUCINo
(Ulver - Themes from William Blake's The Marriage of Heaven and Hell - Full Album)








sexta-feira, 10 de março de 2017

Volúpia




Olá novamente, jovens leitores decassílabos... Aviso que não estou aqui para saciar a fome de ninguém... Apenas aliviar um pouco essa agonia carcomendo o meu sono, bagunçando as minhas entranhas e me fazendo subir sozinho pelas paredes do meu mundo secreto... Eu estou aqui porque nada mais é possível neste momento... Enquanto sou obrigado a ouvir o Axl Rose me perguntando continuamente "para onde eu vou agora"... Pro diabo Axl... Eu vou lá saber pra onde eu vou essa hora da noite? Bem que eu queria ir para lá... Para a desgraça daquela rua onde a minha vontade adormece agora...

Existem também aqueles dias de revisitar nosso passado... Ouvir os sinos do inferno rasgarem a garganta do Brian Johnson enquanto pego o bonde e enlouqueço junto à guitarra frenética do Angus Young... Tudo isso para dizer o que? Dizer que estou sozinho e apaixonado no quarto... Querendo foder... Isso... Eu quero foder tanto, tanto, tanto... Mas o problema desta minha idade terrível... Só avisando... (Cada post pode ser o último mesmo... Estou nos  27 e tento a cada esquina, uma morte bravamente inconsequente e definitiva)... Mesmo assim cá estou... E infelizmente não quero foder qualquer pessoa... Acho que pra ser sincero o meu brinquedo hoje nem funcionaria assim... Pois sofro mesmo de uma doença terrível... Sofro de uma mente cronicamente atormentada e problemática... Fico pensando coisas demais na hora de afogar o ganso e deixo ele voar embora pra passar o inverno em outro lugar...

Mas quero de novo atirar minha pedra mais sangrenta na vidraça deste mundo... Até ela espatifar bunita na cara pútrida da dona sociedade burguesa sem vontade de ser feliz... Amarga por natureza ela faz de tudo pra azedar o angú de todo mundo... É que depois de transar com algumas dezenas de mulheres numa vida tão curta... Me pergunto qual é o propósito de tudo isso na minha existência rala... Foi massa, me diverti... Usei muitas pessoas... Pra quê?... Apenas pra saciar um gozo bêbado? Para levantar-me e dormir assistindo tv na sala? Para transar tão bêbado e ter vergonha de mim mesmo? Ou para contabilizar mulheres e poder dizer a mim mesmo no final do espelho que eu sou foda e sou o cara?

Sei dessa merda não! Sei que na Bíblia o demônio identificado como a Luxúria é Asmodeus... Esse demônio resolve atazanar a vida de Sara no livro de Tobias (q.v. Tobias cap 3 e 8), onde este dito cujo mata sete dos maridos de Sara no dia do casamento... Tobias, o novo pretendente, precisa fazer uma macumba lá junto com o anjo Rafael para prender Asmodeus e manda-lo para o deserto nas proximidades do Egito... Enfim, em se tratando da Bíblia é sempre uma longa estória... Resultado é que Tobias come Sara no final das contas e acaba ficando cego um bom tempo (Sinal de que esse Anjo deve ter feito um trabalho muito errado quando chutou esse ebó no deserto, neh?)... Mas tudo bem... Tobias comeu ela e casaram e viveram felizes para sempre na glória do Senhor... Mas este demônio também é conhecido como o Anjo Destruidor de Deus... Aquele que Deus envia para arruinar cidades inteiras (Como Sodoma e Gomorra, for example.)... E a Luxúria, assim como as suas doenças venéreas e as doenças da mente acarretadas por ela, constituem mesmo os temores mais microscopicamente terríveis na vida de um homem... Bom, até ele descobrir que como Caim, vaga agora sozinho pela terra em busca de alguém que o ame de verdade... Pelo que ele éh... O que agora já ta mei difícil, neh Caim?

É aterrador broxar numa sociedade tão machista... Onde um homem como eu precisa ser sempre viril... Sempre o comedor que jamais pode recusar a uma transa com uma mulher bonita... Mesmo que seja sua primeira vez e ela precise de todos os cuidados necessários para que nada seja traumático... E quando se toma os cuidados necessários para não traumatizar ninguém e você fica traumatizado com isso??? Quando tudo poderia ser perfeito e seu pedaço de carne mole passa a impressão de falta de vontade para com a sublime parceira... É ai então que a vingança de Asmodeus recai sobre a jovem criatura que escreve desesperada... Ele me amaldiçoou com uma infinita vergonha e impotência de dizer o quanto o meu desejo é grande...

O meu desejo é imenso... O desejo de dizer que eu a quero... Que chuparia ela todinha... Lamberia cada pedacinho seu antes de foder bem gostoso a noite toda... Mais o problema é que não quero hoje ser apenas objeto de prazer... Quero foder gostoso muitas e muitas vezes... Fazê-la se sentir a mulher mais especial do planeta... Mostrar a essa garota de que quando eu estou bem (e eu fico bem as vezes) .... eu sou muito gostoso mesmo... Sei que sou gostoso... Que poderia com certeza fazê-la esquecer qualquer cara com quem ela já gozou... Mas para isso também sei que preciso exorcizar o Asmodeus que me cega e que me paralisa os nervos... Mandar o Anjo e O demônio... Todos os Príncipes Encantados pros quintos dos infernos e dizer que essa noite ela é só minha; de que a primeira flecha incandescente da minha Vênus em Áries está apontada para o Céu e eu vou queimar essa porra toda com tanta vontade que eu tenho de comer gostoso essa Mulher... De novo e de novo... Antes do mundo acabar...

Cabou o post... Steven Tyler já está aqui dando uns Yakakakakau... Dizendo que as coisas são Amazing... E eu acho que vou fazer a coisa mais sensata da noite depois de tanta luxúria acumulada...

Pois para mim... Já chega de sexo sem amor... To cansada... Ai... Vixe... Tchau... Vá pra porra!


X - III - MMXVII.


https://www.youtube.com/watch?v=RAZDJUkN7UU
(Incrível - Uma lindíssima apresentação de um Steven idoso! Não percam!)


Eu deixei as pessoas certas de fora
E deixei as pessoas erradas dentro
Havia um anjo de misericórdia
para ver todos os meus pecados
Houve tempos em minha vida
Em que eu estava ficando louco
Tentando superar
A dor
Quando eu perdi o meu controle
E atingi o chão
Sim, eu pensei que pudesse partir
mas não pude sair pela porta
Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Eu desejava que eu
Viesse a morrer

(refrão)
Sim, é incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
Sim, é incrível
Quando chega o momento, você sabe que vai dar certo
Sim, é incrível
Estou fazendo uma oração
para os corações desesperados esta noite

Aquele último tiro são umas férias permanentes
E quão alto você pode voar com asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino
E eu não posso dizer nem o que o amanhã trará

Você tem que aprender a engatinhar
Antes de aprender a caminhar
Mas eu simplesmente não conseguia ouvir
toda aquela conversa verdadeira
Eu estava nas ruas
Só tentando sobreviver
Rendido para permanecer vivo

(refrão)
Sim, é incrível
Num piscar de olhos você finalmente vê a luz
Sim, é incrível
Quando chega o momento, você sabe que vai dar certo
Sim, é incrível
Estou fazendo uma oração
para os corações desesperados esta noite

(falado)
Então, de todos nós do Aerosmith
Para todos vocês: onde quer que você esteja
Lembre-se, a luz no final do túnel
Pode ser você!
Boa noite!

terça-feira, 7 de março de 2017

Apocalipse

Alguém ai entende realmente quando eu digo que estou no cio? Alguém sabe de fato como é a sensação de ficar excitado com uma leve brisa que sopra cálida entre suas orelhas? Um mero ralhar da calça dando bronca naquele seu membro esquecido entre suas pernas? Um simples olhar da moça que passa ou a lembrança do desejo intumescido que, se um botão tivesse, dispararia para sempre a ogiva nuclear que daria fim a um universo inteiro... Não, talvez vocês não façam a mínima ideia do que eu estou tentando dizer aqui... Todavia, digo assim mesmo...

É que depois de meses sem foder, inevitável é a loucura que seus nervos tomam para si... Qualquer toque dos lençóis, o aperto na dureza de uma cama sem colchão... A lembrança da moça desejada... Tudo isso se mistura com os sonhos contínuos de uma cabeça atormentada que não para de lembrar que você é um maldito solitário num mundo onde o sexo explode por todos os lados na sua cara... Sim! É isso ai... O sexo é comercial nesta sociedade bárbara... A Primeira Porta da Percepção... A mais fácil de abrir, pois ela é aquela que é intrínseca à nossa reprodução e por isso "autoconsciente", (como comer, por exemplo)... Aparentemente não necessita de grandes treinamentos, ou horas e horas de meditação contínua... Tudo é fácil... Como dizem... É muito fácil excitar um homem...

Eu sinto muito... Mas sinto mesmo informar à vocês que esta porta que poderia transportar-nos para um mundo mágico é muito mal utilizada... Pois não aprendemos o seu segredo... A combinação máxima para fazermos uma viagem segura através de sua passagem... E que por isso ficamos  no meio do caminho... E nos contentamos em uma viagem somente até a beirada da montanha... Sei que minhas metáforas são toscas e difíceis... Mas não vou parar por aqui... Afinal, não conheço nesta página alguém mais chato do que eu...

Primeiro preciso vos contar, caros desocupados leitores, a parte que me lembro do sonho que me trouxe de volta à primeira fileira desta realidade na qual estou condenado a ver o fim do mundo chegando... Posso confessar na verdade que este post serve apenas para que eu não me esqueça deste sonho... 

Me lembro apenas de estar presente numa festa com uma pá de gente que não conheço nenhum pouco... Umas bichas, umas sapatão e eu dançava... Até ai tudo normal... Anormal é o fato de todo mundo da festa querer transar comigo e eu não desejar ninguém... Até que aquela figura do outro post... Morena como o céu nublado (nublado, mas não carregado, são cores diferentes), ela atravessa o final da festa com olhos enraivados... Não me lembro dos diálogos precisamente... Sei apenas de que ela saiu e me deixou lá, mal falou coisa alguma comigo... Enrolei as pessoas que me assediavam e fui à sua procura... Quando a encontrei, todos da festa já tinham ido dormir, ou trepar, e ela estava com raiva do mundo, bufando e esbravejando que queria estar com um boy gostoso que não estava lá...

Aquele momento do sonho (acontece mais frequentemente na realidade, ora bolas...) em que você se sente um lixo... Estava ali, eu, homem, cheio de desejo por aquela vampira e ela pensava em outro alguém... Conversamos, discutimos, e ela queria dormir... Um tempo depois, de maneira milagrosa neste sonho terrível, nós começamos a nos beijar e o clima esquentou a ponto de tirarmos nossas roupas... Eu não tinha camisinha, como aliás, pela falta de parceiras adequadas, quase nunca ando prevenido...(Isto é, quando digo adequadas, me refiro a alguém que possa falar de algo mais filosófico ou infernal comigo por mais de 5 minutos sem dispersar minha atenção por meio das flores, da brisa ou dos batimentos do meu coração que geralmente procura bater por algo mais do que eu mesmo.)... Mas ela tinha... Porém minha emoção foi tanta em estar novamente nas pernas da mulher mais desejada que aquele tão vivo membro não subiu... (de novo não!)... Com um pouco de paciência ela tocou na criatura moribunda e a preencheu de vida... E me cavalgou rumo ao por do sol como se atrás de si a noite consumisse o mundo por onde o cavalo passava... E é ai meus amigos, aquela hora que você, que há meses sem exercitar a máquina, acorda todo melecado...

Enfim... Acabou o post, eu só queria contar isso mesmo... hahahhaa! Não tenho criatividade o suficiente para transplantar aqui meu estase... Porém... Este sonho me reforça a ideia de que vale a pena esperar um pouco mais... Um desejo intumescido vale mais que dez mil desconhecidas numa cama qualquer do seu quarto numa Residência Universitária... Gostaria de deixar aqui minha opinião... Do que falta no sexo senão o amor??? Vivemos numa sociedade onde a liberdade está tão atrelada ao consumo que aprendemos então a consumir pessoas? Quantificar... Pegar o máximo que pudermos... Mas eu... Trocaria tudo isso pela simples sensação de me deitar na cama da mulher que gosto... Eh sim! Esta mesma criatura que surge no meu Universo Sagrado para perturbar meu sono e fazer meu mundo inteiro se acabar quando acordo e descubro que aqui ela não está...


VII - III - MMXVII.


Ps: Polução Noturna é uma ejaculação involuntária que ocorre durante o sono. Ela resulta de uma excitação física genital que se manifesta durante o sono. Estas manifestações involuntárias são normais e não causam mal ao organismo. ...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Eu, Borrão...

Essa é a história da batalha de um homem do século XXI em busca de sua própria felicidade... Felicidade? Ainda um termo impreciso, cunhado em sua forma mais moderna a partir dos ideais iluministas e burgueses... A felicidade tal como conhecemos hoje está indissociável das noções mais gerais de propriedade... Dessa forma não seria diferente o trato direcionado aos seres humanos... Nós só estamos felizes com alguém quando este alguém é tratado como nossa irrefutável posse?

Façamos juntos esta reflexão sublime... Como posso eu me apaixonar se não estou pronto para abrir mão de tal paixão? Como posso eu insistir se não estou pronto para desistir? O século XXI me exige tal postura, caso contrário o sofrimento me imprime a máxima cicatriz de minha própria arranhadura... Num ambiente tão fluído, de amores tão liquefeitos (Bauman que disponha), como podemos não sofrer pelo apego? Pela incerteza de estar com alguém hoje, querendo estar pelo resto da vida, mas na verdade o resto da vida pode durar apenas o último segundo daquele beijo que ela não tornará a dá-lo jamais...

Nossa mente cria nossas próprias armadilhas... Isso não tenho dúvidas... Mas como escapar agora das armadilhas de minhas paixões? Como fugir daquilo que não quero fugir? Quero enfrentá-la de cabeça erguida e com a coragem com que tenho enfrentado a própria vida até agora... A paixão que não cabe em mim quer irradiar a ponto de queimar o Sol... Quero fazê-la entender que os meus versos de desejo não servirão jamais para aprisioná-la e sim para trazer seu brilho até mais perto da abobada do meu pequeno mundo e me fazer iluminar a face escura do meu reino proibido...

Me lembro daquele dia e jamais o esquecerei... De quando estiquei meus olhos pescoçudos através daquela janela e a vi entregue aos braços negros do homem que não era eu... Mas queria que fosse eu... Queria eu estar mergulhado de novo e de novo naquela boca morena e coberta de batom... Quero assumir nestas páginas infernais o meu ciúme... Tenho ciúme e morro de ciúmes de qualquer toque que não seja o meu... De cada abraço negado daquela sublime dona que me abandona nestas noites quentes de verão para viver os lábios de outros homens tão impuros quanto este que vos fala...

Lá estava eu lavado nas águas termais do meu ciúme... Lá estava ela entregue aos lábios ímpios daquele outro pagão que, como sacrílego certamente conspurcou aquele corpo sem pedir a devida licença às deidades eternas que o forjaram... Sem rezar todos os pecados e exorcizar todos os demônios que assombram os seus sonhos de menina... Eu tento fugir, tento correr de tal horror... De não ver, de ter que suportar a minha mais humana fragilidade de nada poder fazer para conquistar a luz da Aurora maviosa daquela mulher... E eu choro invisível na noite sangrenta do meu coração...

Após a minha fuga ela ressurge sem a companhia pagã da qual se utilizou para seu momento de prazer, tal qual também o faz comigo... Lá está ela diante de mim com a boca ainda borrada pelo beijo ateu... Juro, meus caros leitores, que neste momento eu quis intimamente odiá-la por não me ter dado aquele beijo... Mas aqueles olhos castanhos tanto me alucinam que aquele borrão tornou-se meu amigo, tão bonito e maravilhoso em seus lábios que era como se fosse parte da esfinge que me devora... Eu quis tanto beijá-la por cima da saliva ainda quente do mouro que a roubou de mim aquela noite...

Mas cá estou, meus amigos... Sozinho em meu castelo esquecido... E cá continuarei a rezar à todos deuses e deusas para que ela finalmente me devore e jamais me negue novamente a salvação religiosa de seu ósculo profano... Mesmo que tenha eu que dividi-lo com outras legiões inteiras de pagãos neste limbo em que fui jogado... Eu faço questão de ser salvo pelos demônios que aquela mulher lança toda vez que põe os olhos sobre mim...

VI - III - MMXVII.