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terça-feira, 7 de março de 2017

Apocalipse

Alguém ai entende realmente quando eu digo que estou no cio? Alguém sabe de fato como é a sensação de ficar excitado com uma leve brisa que sopra cálida entre suas orelhas? Um mero ralhar da calça dando bronca naquele seu membro esquecido entre suas pernas? Um simples olhar da moça que passa ou a lembrança do desejo intumescido que, se um botão tivesse, dispararia para sempre a ogiva nuclear que daria fim a um universo inteiro... Não, talvez vocês não façam a mínima ideia do que eu estou tentando dizer aqui... Todavia, digo assim mesmo...

É que depois de meses sem foder, inevitável é a loucura que seus nervos tomam para si... Qualquer toque dos lençóis, o aperto na dureza de uma cama sem colchão... A lembrança da moça desejada... Tudo isso se mistura com os sonhos contínuos de uma cabeça atormentada que não para de lembrar que você é um maldito solitário num mundo onde o sexo explode por todos os lados na sua cara... Sim! É isso ai... O sexo é comercial nesta sociedade bárbara... A Primeira Porta da Percepção... A mais fácil de abrir, pois ela é aquela que é intrínseca à nossa reprodução e por isso "autoconsciente", (como comer, por exemplo)... Aparentemente não necessita de grandes treinamentos, ou horas e horas de meditação contínua... Tudo é fácil... Como dizem... É muito fácil excitar um homem...

Eu sinto muito... Mas sinto mesmo informar à vocês que esta porta que poderia transportar-nos para um mundo mágico é muito mal utilizada... Pois não aprendemos o seu segredo... A combinação máxima para fazermos uma viagem segura através de sua passagem... E que por isso ficamos  no meio do caminho... E nos contentamos em uma viagem somente até a beirada da montanha... Sei que minhas metáforas são toscas e difíceis... Mas não vou parar por aqui... Afinal, não conheço nesta página alguém mais chato do que eu...

Primeiro preciso vos contar, caros desocupados leitores, a parte que me lembro do sonho que me trouxe de volta à primeira fileira desta realidade na qual estou condenado a ver o fim do mundo chegando... Posso confessar na verdade que este post serve apenas para que eu não me esqueça deste sonho... 

Me lembro apenas de estar presente numa festa com uma pá de gente que não conheço nenhum pouco... Umas bichas, umas sapatão e eu dançava... Até ai tudo normal... Anormal é o fato de todo mundo da festa querer transar comigo e eu não desejar ninguém... Até que aquela figura do outro post... Morena como o céu nublado (nublado, mas não carregado, são cores diferentes), ela atravessa o final da festa com olhos enraivados... Não me lembro dos diálogos precisamente... Sei apenas de que ela saiu e me deixou lá, mal falou coisa alguma comigo... Enrolei as pessoas que me assediavam e fui à sua procura... Quando a encontrei, todos da festa já tinham ido dormir, ou trepar, e ela estava com raiva do mundo, bufando e esbravejando que queria estar com um boy gostoso que não estava lá...

Aquele momento do sonho (acontece mais frequentemente na realidade, ora bolas...) em que você se sente um lixo... Estava ali, eu, homem, cheio de desejo por aquela vampira e ela pensava em outro alguém... Conversamos, discutimos, e ela queria dormir... Um tempo depois, de maneira milagrosa neste sonho terrível, nós começamos a nos beijar e o clima esquentou a ponto de tirarmos nossas roupas... Eu não tinha camisinha, como aliás, pela falta de parceiras adequadas, quase nunca ando prevenido...(Isto é, quando digo adequadas, me refiro a alguém que possa falar de algo mais filosófico ou infernal comigo por mais de 5 minutos sem dispersar minha atenção por meio das flores, da brisa ou dos batimentos do meu coração que geralmente procura bater por algo mais do que eu mesmo.)... Mas ela tinha... Porém minha emoção foi tanta em estar novamente nas pernas da mulher mais desejada que aquele tão vivo membro não subiu... (de novo não!)... Com um pouco de paciência ela tocou na criatura moribunda e a preencheu de vida... E me cavalgou rumo ao por do sol como se atrás de si a noite consumisse o mundo por onde o cavalo passava... E é ai meus amigos, aquela hora que você, que há meses sem exercitar a máquina, acorda todo melecado...

Enfim... Acabou o post, eu só queria contar isso mesmo... hahahhaa! Não tenho criatividade o suficiente para transplantar aqui meu estase... Porém... Este sonho me reforça a ideia de que vale a pena esperar um pouco mais... Um desejo intumescido vale mais que dez mil desconhecidas numa cama qualquer do seu quarto numa Residência Universitária... Gostaria de deixar aqui minha opinião... Do que falta no sexo senão o amor??? Vivemos numa sociedade onde a liberdade está tão atrelada ao consumo que aprendemos então a consumir pessoas? Quantificar... Pegar o máximo que pudermos... Mas eu... Trocaria tudo isso pela simples sensação de me deitar na cama da mulher que gosto... Eh sim! Esta mesma criatura que surge no meu Universo Sagrado para perturbar meu sono e fazer meu mundo inteiro se acabar quando acordo e descubro que aqui ela não está...


VII - III - MMXVII.


Ps: Polução Noturna é uma ejaculação involuntária que ocorre durante o sono. Ela resulta de uma excitação física genital que se manifesta durante o sono. Estas manifestações involuntárias são normais e não causam mal ao organismo. ...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Eu, Borrão...

Essa é a história da batalha de um homem do século XXI em busca de sua própria felicidade... Felicidade? Ainda um termo impreciso, cunhado em sua forma mais moderna a partir dos ideais iluministas e burgueses... A felicidade tal como conhecemos hoje está indissociável das noções mais gerais de propriedade... Dessa forma não seria diferente o trato direcionado aos seres humanos... Nós só estamos felizes com alguém quando este alguém é tratado como nossa irrefutável posse?

Façamos juntos esta reflexão sublime... Como posso eu me apaixonar se não estou pronto para abrir mão de tal paixão? Como posso eu insistir se não estou pronto para desistir? O século XXI me exige tal postura, caso contrário o sofrimento me imprime a máxima cicatriz de minha própria arranhadura... Num ambiente tão fluído, de amores tão liquefeitos (Bauman que disponha), como podemos não sofrer pelo apego? Pela incerteza de estar com alguém hoje, querendo estar pelo resto da vida, mas na verdade o resto da vida pode durar apenas o último segundo daquele beijo que ela não tornará a dá-lo jamais...

Nossa mente cria nossas próprias armadilhas... Isso não tenho dúvidas... Mas como escapar agora das armadilhas de minhas paixões? Como fugir daquilo que não quero fugir? Quero enfrentá-la de cabeça erguida e com a coragem com que tenho enfrentado a própria vida até agora... A paixão que não cabe em mim quer irradiar a ponto de queimar o Sol... Quero fazê-la entender que os meus versos de desejo não servirão jamais para aprisioná-la e sim para trazer seu brilho até mais perto da abobada do meu pequeno mundo e me fazer iluminar a face escura do meu reino proibido...

Me lembro daquele dia e jamais o esquecerei... De quando estiquei meus olhos pescoçudos através daquela janela e a vi entregue aos braços negros do homem que não era eu... Mas queria que fosse eu... Queria eu estar mergulhado de novo e de novo naquela boca morena e coberta de batom... Quero assumir nestas páginas infernais o meu ciúme... Tenho ciúme e morro de ciúmes de qualquer toque que não seja o meu... De cada abraço negado daquela sublime dona que me abandona nestas noites quentes de verão para viver os lábios de outros homens tão impuros quanto este que vos fala...

Lá estava eu lavado nas águas termais do meu ciúme... Lá estava ela entregue aos lábios ímpios daquele outro pagão que, como sacrílego certamente conspurcou aquele corpo sem pedir a devida licença às deidades eternas que o forjaram... Sem rezar todos os pecados e exorcizar todos os demônios que assombram os seus sonhos de menina... Eu tento fugir, tento correr de tal horror... De não ver, de ter que suportar a minha mais humana fragilidade de nada poder fazer para conquistar a luz da Aurora maviosa daquela mulher... E eu choro invisível na noite sangrenta do meu coração...

Após a minha fuga ela ressurge sem a companhia pagã da qual se utilizou para seu momento de prazer, tal qual também o faz comigo... Lá está ela diante de mim com a boca ainda borrada pelo beijo ateu... Juro, meus caros leitores, que neste momento eu quis intimamente odiá-la por não me ter dado aquele beijo... Mas aqueles olhos castanhos tanto me alucinam que aquele borrão tornou-se meu amigo, tão bonito e maravilhoso em seus lábios que era como se fosse parte da esfinge que me devora... Eu quis tanto beijá-la por cima da saliva ainda quente do mouro que a roubou de mim aquela noite...

Mas cá estou, meus amigos... Sozinho em meu castelo esquecido... E cá continuarei a rezar à todos deuses e deusas para que ela finalmente me devore e jamais me negue novamente a salvação religiosa de seu ósculo profano... Mesmo que tenha eu que dividi-lo com outras legiões inteiras de pagãos neste limbo em que fui jogado... Eu faço questão de ser salvo pelos demônios que aquela mulher lança toda vez que põe os olhos sobre mim...

VI - III - MMXVII.