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domingo, 27 de agosto de 2017

A Cegueira da Terra, II



II


Hoje foi um dia meio apagado... Apesar de tanta luz lá fora... Habitando outros corpos... Sorrindo... Hoje foi um dia que só quis mesmo dormir... Me entorpecer... Desligar a parte racional do Cérebro... Rir de qualquer coisa... De nada... De tudo... Da minha desgraça... Da desgraça humana... Dos equívocos humanos... Das tentativas de ser feliz... De fazer tudo o que quer... Sem impedimento... Sem ameaças de loucura... Sem lembrar da gravidade... Tudo isso junto concentrando a vontade de fazer direito... De usar a única chance que tenho por garantia... A vida...

Pois eh... A vida! Talvez seja uma única cartada atirada sobre o tabuleiro...

A única chance de tentar um Az... Sobre O Blefe... A seta atirada contra aquilo que tenta a todo custo nos fazer desistir e não acreditar mais nas ciladas que muitas vezes nós mesmos cavamos pra si... Pra nos resgatar a nós mesmos do buraco das acomodações... Dos medos... Pra nos tirar daquela zona de conforto que construímos para evitar sofrer ainda mais... Mas que pobre garantia nós temos de não estarmos construindo outras prisões?

Ou Você Também Pode...

Acreditar, por exemplo... Que talvez aja uma pessoa que seja inesquecível. Sabe, daquele jeito? Tipo... Daquele jeito que te faça, apesar de todo sofrimento, sentir um alívio de pensar que talvez ela proporcione algo tão gigantesco (um sentimento) que te polparia de passar aquilo de novo por outra pessoa... Que exista algo tão forte que te cegue ao ponto de você precisar descobrir dentro de si um olho ainda maior... Um olho invisível que te permita perceber que tudo é infinito do jeito que é... Infinito ao ponto de gritar dentro de si dizendo... 

A busca acabou! Hoje eu senti o Infinito ardendo dentro de mim...

Sim! Eu sou um pregador do Evangelho do Infinito!

Um Evangelho que manda dizer aos mais altos pontífices que reconheçam a suprema humanidade de Jesus... Que reconheçam que também Mohamed, Sidarta, Lao-Tse e tantos outros são igualmente outras células finitas deste Deus Infiníto que, mesmo possuindo todos, não há nenhum nome que um mero ser humano poderia dar...

E tampouco fala conosco exclusivamente por meio de signos tão frágeis quanto as palavras... Pois... Se digo todas estas blasfêmias pela inspiração do Diabo (Quem criou o Diabo se não este mesmo Deus Infinito e Onipotente?), então por que todos os infames adoradores do medo não me entendem? Acho que Deus fala através de mecanismos diferentes, para células diferentes de seu maravilhoso e inimaginável corpo... 

Perdoe-me Mãe, pois pequei...

Só queria dormir e me esquecer de tudo isso... E este é o meu maior pecado... Renegar toda a dor que me permite recriar estas coisas... Estes sonhos... Estes deuses... Estas explicações para angústias tão transformadoras quanto as minhas...

Perdoe-me Mãe, pois pequei...

Não sabia que a senhora era a paridora de todas as estrelas do Universo... Não sabia que era esta força que me amparava no sorriso das flores que pouco a pouco começam a despertar com as canções vibrantes dos passarinhos... Estes jovens passarinhos que voam em rasantes tão poderosos que, até um pobre homem ignorante como eu, consigo ouvi-los quando fecho os olhos por muito tempo e penso... 

Quem sou eu senão isso tudo que está acontecendo agora?

XXVI - VIII - MMXVII