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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Terceira Parte

(Leviathan e Behemoth, William Blake, 1825)


III

MEDO



Impreterivelmente (...), acima de tudo, acho que tenho primeiramente que te agradecer, amiga, obrigado por ter sido durante esse tempo todo como um raio de luz; como um relâmpago a trovar nos céus de minhas tempestades. Toda vez que nos afastamos, levei um arcabouço cravejado de memórias, lembranças das coisas que vivemos, das coisas que você me disse, das coisas que eu disse pra você, e principalmente... das coisas que não dissemos... gestos, expressões faciais e olhares... Pensamentos ultra secretos e desconfiados... Tudo isso que me fez sentar inúmeras vezes para tencionar energicamente os músculos das horas, perscrutando respostas melhores para minhas próprias perguntas. Toda vez que você apareceu, eu chafurdava em crises existenciais muito diferentes umas das outras... De alguma forma, em todas elas você apareceu de formas diferentes também... Mas sempre de maneira mais intensa do que a anterior... Mais madura, mais forte... mais bonita... E cada vez mais foi me encantando e me fazendo refletir que tipo de homem eu era, e que tipo de homem eu quero ser... Que tipo de homem eu invejo? Bom, hoje eu posso dizer com experiência de causa que, certamente invejo um homem que pudesse, em qualquer realidade, ser chamado de seu... Invejo alguém que possa te amar do jeito que você merece e deseja ser amada...

Na infância, desejei uma mulher como você, que escondesse por detrás do olhar, sonhos tão infantis quanto os meus... Ao decorrer da vida, senti o terror endurecido emagrecendo a pureza dos meus sonhos... Ao que parece, as pessoas crescem neste mundo para pararem de sonhar... Porque o mundo e tudo o que há nele parece nos empurrar cada vez mais para o fosso por onde os mortos são consumidos... Onde a alma desaparece, perde o brilho e vira apenas parte de um exército sombrio aguardando o fim do mundo... O pior é que nem saberia dizer ao certo quando foi que deixei de ser criança... Não sei exatamente quando passei a ser chamado de tio pela pivetada da rua... Sei apenas que deixei com que meu brilho se apagasse no olhar do homem que pensei que era... Um homem que pensou encontrar no mundo masculino algum refúgio... Um refúgio ilusório por debaixo de uma casca de chumbo onde nenhum super-homem poderia olhar... E lá tranquei os sonhos que não cabiam neste lugar...

Mas eu me lembro perfeitamente daquela época remota... Me lembro dos meus dias de solidão infinda... agoniante... quando só queria alguém para contar as minhas estórias... Uma companheira... Me achava feio e relento, usava roupas usadas e pobres... gastas... Tinha inveja dos caras fortes e bonitos, os caras que tinham namoradas brancas e perfumadas - tsc! Me lembro como se fosse hoje o quanto eu gostava das ruivas, de pele bem alva, o porque exato não sei; podia ser o rock n' roll, poderia ser as convenções sociais de padrões de beleza, a verdade é que o meu pescoço acompanhava cada cabeleira vermelha a cruzar a rua de meus olhos, acho que apenas não sabia nada da vida, tsc - Tinha inveja também dos caras que dançavam break e faziam cover dos Garotos da Rua de Trás no colégio que eu estudava; tinha inveja dos caras que sabiam tocar violão. Tinha inveja dos que sabiam lutar e dar salto mortal, dos que eram astros do futebol ou qualquer outro esporte (garoto franzino, de alimentação precária, sabe?), tinha inveja dos mentecaptos populares e principalmente, dos que possuíam coisas bonitas que só o dinheiro poderia comprar...

Mas realmente tenho razões para acreditar que ninguém tinha inveja do garoto estranho que passava horas escondido na biblioteca, que andava cantando e falando sozinho o tempo todo... Que vivia brincando e criando personagens para um teatro de ninguém... Às vezes eu percebia um certo tipo de inveja que não lhes durava muito mais que 1 minuto... O tipo de inveja de quando os professores elogiam o seu 10 naquela prova do caralho, ou da cara perplexa da professora nova de inglês da 7ª série ao perceber que o garoto calado conseguia reproduzir com proficiência algumas frases complexas no idioma que ela lecionava numa escola onde, na opinião dela, só deveriam haver nécios fracassados... E nesses momentos, colaboradores de minha desgraça, eu juro que podia perceber os olhos brilhando enquanto olhavam para aquela criatura grotesca que só vestia preto, mas não conseguiam olhar nos meus olhos amargurados de loucura por mais de um segundo, e ao fim de um minuto, suas vidas de espuma voltavam a se fundir com a areia agitada de suas praias super badaladas... Ser inteligente parecia apenas mais um fetiche sem importância ou sem valer o esforço para todos ao meu redor...

Ninguém parecia querer saber de fato como é que este mundo funcionava... Como e por que as coisas eram como eram? Por que as pessoas morriam? Se havia realmente vida após a morte? Se a minha mãe realmente via e ouvia os espíritos, ou se Deus existia? Ninguém parecia realmente se importar com isso... Me lembro de ter me feito essa pergunta antes mesmo de ter dado o meu primeiro beijo, aos 11 anos de idade, numa menina que já tinha ficado com quase todos os caras da rua (Não preciso dizer que me apaixonei por ela, neh? Acho que sempre tive uma preferência pelas putas, e não me arrependo disso, pois sempre me foram as melhores professoras...)... Mas acho que essa insistência em querer saber das coisas é que foi a minha verdadeira ruína... Pois aonde cheguei é impossível retroceder, não há caminho de volta para a total ignorância, nem há fuga suficiente para levar embora toda a carga, toda a dor provocada pelas respostas que encontrei... e principalmente o vazio deixado pelas novas perguntas que são feitas a partir do rombo que alarga a borda da minha realidade... O medo de nunca saber um monte de coisas... Sobre as leis que governam tudo o que eu amo, a Natureza, o Universo, os átomos, as estruturas moleculares, os poemas... Tudo isso que foi atirado num imenso caldeirão de bruxa que irá cozer a sua cabeça até o fim dos tempos...

Na antiga Mitologia Nórdica havia uma Serpente, Níõhöggr é um dragão enorme que habita o mundo subterrâneo (Niflhein, o mais profundo dos 9 mundos), ela engole os corpos dos são enviados para o mundo dos mortos (não, não tentem comparar com inferno cristão, isso é um equivoco tosco e grosseiro), absorvendo suas almas que serão transformadas em soldados no dia do Ragnarok. Por volta do ano 1220, o poeta, historiador, político e legislador islandês, Snorri Sturluson, compilou uma série de narrações que juntamente com a Edda Poética (Edda em Verso, de autores desconhecidos) constituem a mais importante fonte da mitologia nórdica. Segundo a descrição de Snorri, o Níõhöggr,  também chamado de Nidhogg, ou Nidogue,  é um dragão sem asas e sem pernas que come as raízes da Yggdrasil, a árvore que sustenta os nove mundos da Mitologia Escandinava. Ela tem a missão de matar a Árvore e destruir o mundo conhecido para que outro novo surja em seu lugar. As raízes da Yggdrasil impedem que o Nidogue passe para os outros mundos, principalmente Midgard (onde nós habitamos).


(Ti fofa, ela...)

Nidhogg se alimenta dos pecadores, de todos aqueles que jamais entrarão no reino de Valhala, sobretudo os perjuros (quem quebra um juramento, uma promessa feita); o homicídio (quem mata fora de guerra); e o adultério (quando há infidelidade, mentira, enganação entre duas pessoas que supostamente se amam)... Estes são apontados como os mais graves delitos espirituais (sociais) da cultura nórdica medieval... Nidhogg também não é o único ser que habita a árvore, no seu topo reside Hraesvelgr , um gigante que transforma-se em águia sentado nos confins do mundo (extremo mais elevado). No tronco da Yggdrasil mora Ratatosk, um esquilo que troca insultos e palavras invejosas entre a Águia e a Serpente que guerrearão implacavelmente até se exterminarem no advento do fim do mundo nórdico (q.v.  Ragnarok).


Assim como Behemoth e Leviatã (q.v. capítulo anterior), estamos todos fadados à auto-sabotagem, à auto-destruição... Como se houvessem dois egos principais dentro de nós e um estivesse sempre tentando esconder do outro os planos secretos do amanhã; pois caso esse outro descubra, inventará mil motivos para não vê-los acontecer, para termos preguiça, para desistirmos de mudar, de ir, de seguir em frente... de tentar de novo... Neste dia, ouvi muito sobre a coragem de seguir com nossos sonhos, de buscar mundos diferentes, ou de destruir o velho mundo para criarmos algo completamente novo... Partir para podermos nos encontrar... Perder-se das ilusões do que acreditamos ser o Eu... E é por isso que o Medo nos apodera tanto... Pois tudo aquilo que acreditamos ser este Eu, está coberto de ilusão. Todas as suas memórias foram sabotadas, elas estão repletas de sentimentos novos, de novas leituras sobre as mesmas; amores mais intensos, coisas ditas (ou não) que revigoram ou destroem nosso ser... Tudo isso, amontoando os outros fardos que a sociedade nos impõe através desta realidade parca que consumimos... Tudo isso vai roendo as raízes profundos dos nossos mundos ocultos até que retornemos completamente para os braços do Universo, da Terra, do Sol... Aos átomos que daqui a anos inimagináveis constituirão outras galáxias (pois eh, você achou mesmo que a Terra e o nosso Sistema Solar... kkkkk... A Humanidade... Durariam para Sempre? Jura que pensou nisso? Sinto muito, o Universo não foi criado para nós! hahahha!)

Acho que nunca conseguirei acreditar de fato que os erros sejam irremediáveis... Que o tempo tenha passado para nós... Imaginar isso é me perceber exatamente como nossos pais... É que quando ouço aquela velha música do Belquior, tenho a impressão de que todos os nossos pais, nossos ídolos, nossos músicos, poetas, filósofos e personagens prediletos, todos eles discursaram sobre seus próprios erros para que nós talvez tivéssemos alguma possibilidade de salvação, de redenção, de mudança... De acerto... Portanto, aquela música é uma ode à tristeza... Uma ode às pessoas que desistiram umas das outras... E eu, bem... Eu trago este cansaço dolorido de velhas desistências... Ao que parece, eu não valho a pena para ninguém... Acho que ninguém que amei realmente tenha tido vontade de construir algo maior comigo... Bom, mas seria realmente injusto afirmar isso por outras pessoas, então eu só acho mesmo... Sei apenas que vai doer, ver o teu cabelo balançando ao vento, saber de toda a gente jovem reunida à sua volta e eu... Bem, o meu maior medo e nem sequer saber se ocuparei algum lugar especial nas suas lembranças... E da mesma forma que todos desistiram, tenho medo de nunca realizar meus sonhos maiores, tenho medo de desistir de invejar ser um homem que jamais fui... O homem que invejo é sem dúvida um homem pelo qual vale a pena lutar...

Bem, viajo daqui há pouco... Certamente visitarei um outro mundo... Lá tenho uma família que me aguarda como sou... Terei Irmãs... Terei Pais... Terei até um Tio-Avó muito querido... Gostaria mesmo de saber tudo o que me espera antes do meu próprio Ragnarok... Porém, o que é justo e não me falha... Tenho todas essas memórias sabotadas e gastas pelas dores do tempo... Mas apenas as tenho porque tive a coragem de seguir meu coração... Porque tive a coragem de partir ou de ficar quando ele me pediu... Tenho todas estas memórias maravilhosas dos amores que me transformaram em alguém melhor e mais forte para lutar esta minha guerra... Porque assim pude ficar de pé e caminhar em busca de meus sonhos... Tenho orgulho de ainda estar vivo por causa deles... E tenho Orgulho apenas porque sei que Vivi...


XIII - IV - MMXVII


https://www.youtube.com/watch?v=da5hGxi-W_U
(Como Nossos Pais - Belquior)

https://www.youtube.com/watch?v=IHtExPwC100
(Super Homem - A Canção - Caetano Veloso e Gilberto Gil)


domingo, 9 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Segunda Parte

(A Destruição de Leviatã - Gustave Doré, 1865)


II

CIÚME


Sabe que dia é hoje, amiga? Hoje é Domingo de Ramos, a comemoração do dia em que Jesus retornou à sua Sagrada Jerusalém depois de passar quarenta dias meditando no deserto. Lá ele se preparou para o combate que travaria contra um mundo antigo, contra tradições ultrapassadas de um judaísmo colapsante, contra o mal que afetava os seus contemporâneos... E certamente, contra o mal que habitava dentro de si mesmo, contra o medo de seguir a voz do Deus que clamava dentro de seu coração... Preciso confessar aqui que não concordo totalmente com Friedrich quando diz que o único cristão que de fato existiu foi o próprio nazareno. Acredito que Jesus Cristo era sobretudo um yogue, e acho que aqueles que estão dispostos a buscar o caminho da verdade dentro de si mesmo, chegarão a conclusões parecidas com o Messias no deserto... Fazer o bem e abdicar do próprio ego para ver o sorriso daqueles que amam... Para enfrentar a dor que é viver neste mundo e encontrar forças para lutar por um lugar melhor... Esse é o verdadeiro significado da compaixão... Creio que o mundo está cheio de pessoas assim...

Mas Nietzsche não odeia o Cristo, ele se repugna antes de tudo da Igreja, do Cristianismo, porque essa é uma instituição dos Homens, e pensada por homens que não seguiram o caminho do Jovem Galileu... Uma religião que deseja sobretudo o poder... Não preciso me lembrar que a entrada de Cristo em Jerusalém despertou a Inveja de muita gente poderosa... Afinal, o Domingo de Ramos representa a chegada da Esperança, onde os ramos das oliveiras sendo brandidas pelo povo trazem um novo alento àquelas pessoas assoladas pelas guerras, pelas formes, pela opressão do Império Romano e por toda a aridez da Terra Santa...  

Insegurança... Ciúme... Medo... O que os senhores do Judaísmo Ortodoxo naturalmente iriam dizer de um judeu que surge em meio ao caos para pregar uma mensagem de Amor, de perdão infinito, de cuidado com as pessoas? É claro que mataram, pois é assim que fazemos com tudo o que nos amedronta, que nos afronta, que nos mostra o quão errados estamos, que revela nossas fraquezas com palavras simples e carinhosas... A violência é um recurso de egos agonizantes tentando não morrer, pois cada vez que estamos errados, é preciso matar aquele eu que vivia tais crenças, pois ele não poderá coexistir com a nova pessoa que você precisará criar para habitar o mundo com um olhar completamente novo... Amar é difícil, meus amigos, e é por isso que desistimos nas primeiras pedradas que levamos no caminho... Nos esquecemos... Pois só há duas saídas possíveis: ou nos deixamos morrer junto com a nossa verdade imaculada... Ou precisamos nos afastar da mentira que nos mata lentamente todo dia...

Particularmente penso que Jesus é tão filho da Deusa quanto qualquer um de nós... Todos somos porta-vozes destes deuses que nos habitam... Alguns abrem melhor os seus chacras para poder ouvir, interpretar com mais clareza os sinais... Mas isso só faz Jesus parecer-se ainda mais conosco... Um humano, cheio de fraquezas, dúvidas, medos... E é por isso também que a Igreja queimou e negligenciou completamente inúmeros textos, inclusive o muito provável testemunho de Maria Madelena, que acompanhou o yogue no seu florescimento e cujas conversas certamente o ensinaram bastante, o tornaram um ser humano melhor... Pois não posso crer que nem o druida mais proeminente poderia ter aprendido tudo sozinho, meditando, sem se preocupar, sem ouvir o que os outros tinham a dizer; e se Ele pudia entender como Ela se sentia, é porque sabia escutar tudo o que Madalena lhe falava, porque a amava como uma igual... Então, pela primeira vez na História Ocidental, a Humanidade pôde eleger um deus que se sacrifica em prol dos outros, que sacrificou a sua própria vida para passar uma mensagem muito maior do que sua própria carne... Uma mensagem de amor...

Isso me faz lembrar uma estória mais antiga, quando Prometeu roubou dos céus o fogo dos deuses e ensinou a humanidade a caminhar sozinha, a se guiar pelas estrelas, deu-lhes a Astronomia, a Agricultura, a Astrologia, etc (Prometeu é foda!)... Quando o Todo-Poderoso Zeus (de onde vem a palavra Deus que os cristãos usam sem nem sequer refletir o significado) por pura inveja da empatia daquele Titã pelos humanos, uma raça fraca, inferior que merecia apenas ser castigada e subjugada para prestar homenagem aos seus superiores... Prometeu escolheu aguentar todo o castigo porque tinha esperança naquela humanidade, esperança que a conduziria lentamente à correção de tantos erros... Que talvez, um dia, muito distante, surgiria uma humanidade nobre, com homens e mulheres capazes de trabalhar juntos para corrigir os equivocos até mesmo desses tantos anos de dominação de deuses e religiões... Onde cada homem e cada mulher pudessem ser os sacerdotes e sacerdotisas de suas próprias casas, os alquimistas de suas próprias oficinas e ajudarem os próximos a forjarem lugares melhores para todos os habitantes deste paraíso que insistimos ainda em transformar num inferno...

Prometeu agonizou durante eras até que pudesse ser resgatado pelo filho do Onipotente que o prendera... Hércules, assim como Jesus, aparece para desfazer rancores antigos, para dizer ao mundo que ele precisa mudar, dizer a todos nós de que é preciso questionar as tradições, quebrar as correntes que nos prendem aos corvos que dilaceram nosso fígado... Para nos renovar a esperança nos heróis, nas pessoas que amamos, e por quem vale a pena continuar lutando para nos redimir de tantos pecados cometidos por nossos antepassados... A esperança de não cultivarmos uma vida tão sofrida (como nossos pais) para nós e para as futuras gerações...

Hércules foi sem dúvida o filho mais proeminente de Zeus, e de quem sua esposa mais teve ciúmes... Por isso ele foi consagrado a essa deusa... Hércules ( Ἥρα = Hera + κλέος = Gloria) em grego significa "A Glória de Hera", certamente Alcmena quis apaziguar a raiva da Mãe dos Deuses, porém, sabemos que não foi o bastante... Embora a Primeira Dama do Olimpo tenha atazanado a vida do herói durante toda a sua jornada, o trabalho que nos traz de volta a Leviatã é o Segundo... Lá o Filho de Zeus precisa liquidar a famigerada Hidra de Lerna... Uma serpente gigante que duplicava suas cabeças cada vez que o herói esmagava uma... É dona de um hálito venenoso que mata os homens apenas de abrir sua boca, até o cheiro que deixa em seu rastro é capaz de provocar uma enorme agonia. Segundo a tradição, esse monstro foi criado por Hera para matar Hércules, quando a Deusa percebeu que o herói iria finalmente vencer o veneno de sua inveja, mandou um pequeno caranguejo para ferir os calcanhares e distrair Hércules. Sabendo que o inimigo era muitíssimo maior e mais forte, o confuso caranguejo por amor a sua deusa (Hera, deusa da maternidade, portanto, mãe de todas as criaturas), irrompeu contra o herói e a distração quase custou a sua vida. A missão de matar Hércules é descrita com tristeza para o Caranguejo... Mas é assim que a Mitologia Grega da origem à Constelação de Câncer, pois Zeus, admirado com a coragem do crustáceo o elevou aos céus para sempre nos lembrarmos que um amor verdadeiro não maltrata, não deixa espaço para o ciúme doentio tomar conta (tudo bem que esse tal de Zeus era um escroto neh! não serve de exemplo pra nada aqui nesse blog), não se inflama de ódio, não machuca quem ama e não tenta destruir a vida das pessoas. Desde então, aqueles que nascem sob o signo desta constelação, nascem para amar além de tudo, amar e cuidar de tudo o que existe de bom sob esta terra...

(Vaso grego pra vocês não dizerem que é minha mintira, tsc)

Segundo tradições e lendas baseadas no Talmud, Yahweh teria criado o Leviathan juntamente com uma Fêmea no Quinto Dia; outras lendas ainda dizem que estes dois animais seriam duas das criaturas primevas, ou seja, que existiam antes da criação do Céu e da Terra (sim, os textos antigos sempre são contraditórios e abrem espaço para todo o tipo de devaneio). Segundo as mesmas lendas, Jeová teria matado a fêmea do Leviathan para que estes não procriassem e destruíssem o mundo (esse povo de Deus inventa cada coisa doida, neh?), deixando apenas o macho para nos infernizar, hahhaha! Na Bíblia também está descrito que Deus enviará outro de seus demônios para ajudar o Arcanjo Gabriel no Apocalipse, ou seja, na Batalha Final que decidirá o desfecho da Terra... Gabriel não conseguiria sozinho, por isso Javé mandará o Behemoth, um demônio que representa o poder do deserto, em antítese para o poder da água, do oculto, das profundezas do Oceano... Nessa batalha os dois demônios acabariam sendo destruídos, um anularia o outro... Por fim Deus servirá a carne do Leviatã aos justos, ou seja, aos que sobreviverem ao combate final... E com a pele ele fará uma grande tenda para servir o banquete... (Ainda bem que daqui pro final dos tempos a humanidade já terá percebido que não vale a pena comer carne, ainda mais a carne de um demônio que é descrito tão desgraçadamente, ói... acho que é melhor fazer jejum no Juízo Final vú... Vai por mim, vocês não vão querer comer esse troço... hhahah)

E é aqui onde os meus pensamentos se entrelaçam no embaraço de tanta confusão... Existe muita informação que se correlaciona neste imenso quebra-cabeças que é a vida... Não sabemos como e nem porque, mas ao que parece todas as coisas que lemos, que ouvimos, e fazemos parecem fazer parte de um imenso código que precisamos montar para dar sentido à nossa frágil existência... Não posso dizer que não tenho ciúmes de você, amiga... O que sei é que tenho ciúmes da sua meia calça nova... Tenho ciúmes de todas as suas bolsas de viagem às quais não poderei te acompanhar... Tenho ciúmes de seus cabelos esvoaçando em ventos que não trarão o teu perfume ao meu olfato tão sedento do teu cheiro... Mas certamente, não tenho medo de que isso consuma a minha alma... Tenho um Hércules que habita dentro de mim, lutando para me redimir de meus pecados mais antigos... Ostentando ainda uma esperança faminta de ser feliz...

Agora, arranco eu o meu ramo santo de oliveira... E sigo a procissão do domingo perene de minha alma... Para exterminar mais e mais bestas que me impedem de ter alguém especial como você, de ser de alguém tão especial quanto você... E nestas distâncias eu encontro muitas respostas para as perguntas que me afligem... Você me diz, mesmo sem o saberes, os versos que ainda faltam no meu imenso poema tortuoso... Aguardo agora a chegada da Páscoa, dos ovos de chocolate, dos coelhos felizes fornicando em celebração à vida... Uma época onde nenhum Medo poderá furtar qualquer coisa que ainda esteja guardado para quem tenta com todas as suas forças, se transformar a cada dia... Criar asas coloridas como as borboletas e sair voando por ai para amar o mundo sem nenhum impedimento...


IX - IV - MMXVII


https://www.youtube.com/watch?v=kTzrA7YgUi0
(Um Certo Galileu - Padre Zezinho...  Sim! É para vocês se lembrarem dos domingos de sua infância, quando a sua avó ou aquela vizinha ligava essa música de manhã pra fazer a comida... Garanto que se vocês abrirem o coração, vão sentir alguma coisa boa, um alento, uma esperança, ou quiça uma revolta contra a crueldade dos humanos... De qualquer forma... Não tenham medo... Não tenham medo de se permitir...)




quinta-feira, 6 de abril de 2017

Os Espinhos da Invídia - Primeira Parte


I

INSEGURANÇA


"Você consegue pescar com anzol o Leviatã, ou prender sua língua com uma corda? Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz, ou atravessar seu queixo com um gancho? Você imagina que ele vai lhe implorar misericórdia e falar-lhe palavras amáveis? Acha que ele vai fazer acordo com você, para que o tenha como escravo pelo resto da vida? Acaso você consegue fazer dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho, ou pôr-lhe uma coleira para dá-lo às suas filhas? Poderão os negociantes vendê-lo? Ou reparti-lo entre os comerciantes? Você consegue encher de arpões o seu couro, e de lanças de pesca a sua cabeça? Se puser a mão nele, a luta ficará em sua memória, e nunca mais você tornará a fazê-lo. Esperar vencê-lo é ilusão; apenas vê-lo já é assustador. Ninguém é suficiente corajoso para querer desperta-lo." 
(Jó. Cap. 41; Versículos de 1 - 11)



A Inveja é um prato que não se come. É um prato que te devora, consome a sua alma e te empurra para um caminho de dor que machucará a todos que fizerem parte da longa trajetória da dor por onde sua fome cresce... E quanto mais você desejar algo que não é próprio de você, mais você se perceberá insuficiente, mais desejará o que é dos outros e... mais vazio se sentirá ao findar de tudo... Pois você não terá conquistado nada que possa realmente ser chamado de seu...

Há longas discussões entre Inveja Boa e Inveja Má... Mas no fim das contas, que cuidado tomamos para que isso não nos machuque, não nos persiga..? Quantas vezes paramos para nos perguntar se o que sentimos é de fato Admiração e não essa chamada Inveja Boa? Seja lá como for que vocês pensem, meus amigos distraídos, espero que ouçam as palavras de Jó ao menos uma vez na vida... A Inveja é sobretudo perigosa... Perigosa para todos... Embora o texto se alongue, é preciso continuar a descrevê-lo para que vocês possam demoniza-lo mais precisamente.

" Quando ele se ergue, os poderosos se apavoram; fogem com medo dos seus golpes.  A espada que o atinge nada lhe faz, nem a lança nem a flecha nem o dardo. Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre. As flechas não o afugentam, as pedras das fundas são como cisco para ele. O bastão lhe parece fiapo de palha; o brandir da grande lança o faz rir. Seu ventre é como caco denteado, e deixa rastro na lama como o trilho de debulhar. Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de unguento. Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossem os cabelos brancos do abismo. Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida! Com desdém olha todos os altivos; reina soberano sobre todos os orgulhosos."
(Jó. Ibid. Versículos de 25 - 34)

Desse modo, para um homem invejoso, nada está bom para ele, a tudo ele critica, e tudo o incomoda no seu íntimo... E é daí donde brotam os espinhos que machucarão tanto as suas mãos que, no final do dia, você estará completamente impossibilitado de realizar, por si só, qualquer trabalho belo por você e muito menos pelos outros... Sobrará apenas a Insegurança de não poder fazer nada sozinho; o Ciúmes por quem não precisa mais de você para ser feliz; e o Medo de que tudo conquistado pereça diante de seus olhos, enquanto a sua invejável capacidade de criticar lhe afoga mostrando à sua volta toda a felicidade que você não possui...

Quanto ao monstro descrito por Jó, sua origem remonta lendas e mitos fenícios, o que levou muita gente a crer que esta seria uma criatura pré-histórica que teria sido contemporâneo de uma humanidade primitiva (digo, ainda mais primitiva do que a nossa). Na Demonologia Cristã, o demônio Leviathan (do hebraico antigo, Serpente Tortuosa, mas foi muitas vezes traduzido como monstro marinho ou crocodilo), é considerado um dos quatro príncipes coroados do inferno, o que provavelmente o coloca como o quarto mais poderoso, depois de Lucifer, Beelzebu, Azazel. O demonologista Johannes Wier (1515 - 1588), em sua obra Pseudomonarchia Daemonum, denomina Leviatã como "O Grande Embusteiro", ou "O Grande Enganador", pois, segundo ele, este está presente e triunfa facilmente nos palcos políticos, nos tratados comerciais e nas intrigas palacianas (ixxe, então impera no Congresso Brasileiro, na Presidência da República e no Mercado Internacional, tsc). Talvez seja por isso que a obra renomada de Thomas Hobbes seja tão bem sucedida, hahahaha! O nome condiz perfeitamente com o estado atual da humanidade... Mesquinha, Egoísta e Gananciosa... A fórmula perfeita para a auto-destruíção...

Segundo Hobbes, o Homem em seu Estado Natural é instintivamente  egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não possui conceito de justiça; ele apenas segue os ditames de suas paixões e desejos, temperados com algumas sugestões de sua razão natural, destreinada, primitiva e muitas vezes embrutecida. Assim Thomas Hobbes dá na cara da história a chave de uma guerra que vivemos a milênios... A Inveja é a verdadeira Guerra de Todos Contra Todos!

"Cada homem é inimigo de outro homem, então a vida do homem nesse estado é solitária, pobre, sórdida, brutal e curta." 
(HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, formas e poder de um estado eclesiástico e civil. 1651.)

Outrossim, o grande poeta místico inglês, William Blake (isso mesmo, aquele lá que inspirou o The Doors), dedicou sua atenção ao livro de Jó e em suas peregrinações espirituais (regadas de ópio e outras tantas coisas que os ingleses traficaram às custas de muitas vidas do oriente), onde faz uma descrição bastante imagética desta força representada na figura do Leviathan.

" Debaixo de nós nada mais se via senão uma tempestade negra, até que, olhando para oriente, entre as nuvens e as vagas, divisamos uma cascata de sangue misturada com fogo, e próximo de nós emergiu e afundou-se de novo o vulto escamoso de uma serpente volumosa. Por fim, a três graus de distância, na direção do oriente, apareceu sobre as ondas uma crista incendiada: lentamente elevou-se como um recife de ouro, até avistarmos dois globos de fogo carmesim, dos quais o mar se escapa em nuvens de fumo. Vimos então que se tratava da cabeça do Leviatã a sua fronte, tal como a do tigre, era sulcada por listras verdes e púrpuras. Em breve vimos a boca e as guelras pendendo sobre a espuma enfurecida, tingindo o negro abismo com raios de sangue, avançando para nós com toda a fúria de uma existência espiritual."
(BLAKE, William. O Casamento do Céu e do Inferno. 1794.)

Não, meus senhores! Não estamos seguros diante da humanidade enquanto ainda precisamos possuir as coisas, as pessoas, as mentes das pessoas, os corações das pessoas, a atenção das pessoas... No final das contas, tudo se trata de ter... Mais conforto, mais sexo, mais pessoas trabalhando pra você, bajulando você, dizendo o quanto você é grande e bonito e é tudo da vida delas... No final das contas, a maioria das pessoas querem alguém para diminuir... Para inferiorizar... Menosprezar... Reduzir sua companheira a quase nada para que assim você... Macho Escroto do Caralho... possa ser o soberano senhor de tudo, dono de uma mulher submissa, de auto-estima baixa, ignorante... e assim você, que nada conquistou de grandioso à sua própria custa, pode agora se vangloriar de ser um cara fodão pra caralho e se sentir seguro no seu trono de madeira roubada...

É igualmente por esse motivo que as nações colecionam tanques, ogivas nucleares, submarinos e navios ultramodernos para suas guerras intermináveis... Para ostentar aos seus vizinhos o quanto são poderosos... Para intimidar, para invadir lugares menores e mais fracos... Para oprimir a sua população, para reprimir as liberdades individuais... Tudo isso em nome de uma segurança tola, vã... Frágil... Uma segurança baseada no medo, na força bruta, nas armas de fogo... Mas esse tipo de segurança só trará rancores acumulados, sangue, morte, destruição e mais motivos para ter medo. Do mesmo modo, o machismo moderno se engendra na sociedade... Um homem aprende desde cedo que sua mulher só deve dedicar atenção a ele... Aprendemos que é inconveniente quando outro homem interessante cumprimenta ou puxa assunto com nossas namoradas, ficamos desconfortáveis na presença de outros homens (porque sabemos o quanto homens são escrotos... e perigosos); sabemos o quanto os homens são provocadores (não! isso não é nem coisa de bixa e nem de mulheres, o mundo masculino é cheio de artimanhas para machucar e essa também é uma delas), o quanto eles querem mostrar que exercem poder sobre as pessoas, sobre as namoradas de outrem. E é ai que um homem não muito experiente, ou um homem que não é dado a pensar exaustivamente sobre suas atitudes, se entrega ao pessimismo de uma insegurança destruidora que trará ruína ao relacionamento.

Me lembro de todas as vezes, amiga, todas as vezes que briguei por esse motivo. Por não ter certeza do que a outra pessoa pensava, por sentir a admiração que ela tinha por essa ou aquela pessoa; pelo encantamento como falava de fulano de tal... Essas coisas me desconfortavam, revelavam desejo, probabilidades... e mesmo lutando para controlar o ciúme... é doloroso sentir-se impotente, sentir-se falho, sentir-se insuficiente perante o mundo... Porque no fundo você quer ser tudo para a outra pessoa, o mundo nos ensina isso tanto que acabamos por nos esquecer de ser o melhor para nós mesmos... Essa insegurança nos conduz por um caminho sem volta... O caminho do ciúme cego; o caminho das perguntas e da desconfiança intermináveis; o caminho da paranoia; da investigação desmedida (ou melhor, invasão de privacidade); das brigas inconsequentes; das coisas dilacerantes que são ditas durante esse processo... E no fim, já estão todos tão machucados que é impossível para os membros deste conjunto se re-apaixonarem um pelo outro...

Tenho certeza que poderia me re-apaixonar por qualquer uma das mulheres por quem já fui apaixonado uma vez... Primeiro porque não sou de exercitar as mágoas... Segundo porque realmente acredito que as pessoas mudam... E terceiro, quem seria eu para subestimar uma vontade intumescida de ser feliz? Depois, ninguém desama alguém... Se alguém lhe fez bem um dia... No fundo... Bem lá escondido estará algum amor perdido, esperando poder ser resgatado ainda. Isso explica, amiga, o fato de ter participado de um relacionamento de 7 anos, nos idos da adolescência, durante as vacas gordas de minha juventude... Agora, ao fim dos anos de vacas magras, de fome intensa, de desespero, de erros e lágrimas cansadas; eu creio que posso enxergar tudo o que passou com maior clarividência... Hoje eu vejo que minha insistência não era apenas por insegurança quanto ao futuro... Eu realmente sei que me re-apaixonei muitas vezes por todas as pessoas que amei... Que tentei ao máximo conquistá-las no dia-a-dia... Tentei conquistá-las com o que há de mais esperançoso no meu lado bom e com o que há de mais criativo no meu lado ruim... Mas estes ambos desdobramentos de mim são repletos de falhas e limitações... Não são suficientes para interpretar os códigos do tempo; do silêncio; ou da angústia provocada por meus erros... E ainda que fossem aptos para tal computação, temos que considerar que as pessoas desistem, fogem, mudam, escolhem não querer a responsabilidade de ajudar um homem a se tornar alguém melhor (ou não fazem a mínima ideia de como fazer isso acontecer). No fim, todas as pessoas fizeram de mim alguém melhor... mais sério... muito mais calado... e mais solitário do que nunca antes na minha vida... 

E se esse post é imenso, é porque a insegurança é imensa... Ainda há muito o que se falar dela até que estejamos realmente seguros... Porque ninguém nunca está... Homem, mulher, viado, sapatão... Todos eles moram em um mar de insegurança chamado Mundo... Onde todos têm razão para temer, odiar, desejar, trair, beber demais, ficar muito doido e fazer merda... Todos têm seus motivos e justificativas para tal... E infelizmente levamos muito tempo para descobrir as ilusões todas que nos rodeiam... As ilusões que fortalecem todos os nossos demônios internos... A insegurança nos faz surtar quando não sabemos nada sobre o futuro... Ela mostra que não estamos tão tranquilos quanto achamos que estávamos... Ela revela o menino inseguro chorando em público pela impossibilidade de calcular o próximo passo, a próxima coisa a ser dita... Descobre que talvez não seja ainda tão paciente quanto pensava que era... E no fim, diz a coisa errada por estar assustado e sozinho tempo demais para querer correr o risco de ser desprezado... Desacreditado... Ou apenas tornar-se um amigo quando o desejo ainda corre célere no peito de um garoto sonhador...

Já não sei quanto a você, amiga. Mas eu estou bem, oh, chuva deliciosa que me faz companhia! Eu estou cada vez mais em paz com a minha decisão de continuar o show... Continuar vivendo e ajudando no que me for possível para que as esquifes desses medos possam ser superadas e destruídas... Para que o amanhã de um novo ser humano possa vir acompanhado de bondade, paz, esperança e entendimento... Onde a posse, a propriedade privada, as armas e a insegurança não significarão muito mais do que uma concha encontrada na praia... Você poderá carregá-la de um lado para o outro, mas no fundo terá o sentimento de que aquilo, tão bonito e especial, é na verdade pertencente a todos os seres que partilham conosco esse planeta... E assim também deve ser o coração de um homem e de uma mulher... Livre para amar...


VI - IV - MMXVII




https://www.youtube.com/watch?v=C7FS5sgSt5c
(Leviatã, animação - Inspirada na obra de Thomas Hobbes... Recomendo D+)

https://www.youtube.com/watch?v=ywMJEu8dddA
(1º de Julho - Cassia Eller -Vale a pena conferir a letra do Renato Russo...)


https://www.youtube.com/watch?v=PlrW9SUCINo
(Ulver - Themes from William Blake's The Marriage of Heaven and Hell - Full Album)