III
VAZIO
O ódio é a chama descontrolada que devasta a floresta... É o descuido do caçador de primeira viagem; ou da colonia imatura de férias, que espalha seu lixo por todo o mundo selvagem, sem se preocupar em quantas vidas irá queimar com o descuido de atirar seu cigarro aceso sem pensar... E assim, sem refletir seus próprios erros, sem rever suas ações, você permite que essa raiva queime tudo, toda a floresta de suas palavras tornam-se a aflição de uma fumaça negra que trará a próxima chuva tóxica... E você será o último sobrevivente de um lugar deserto, pois terá afastado de você todos os seres que ainda não matou... E lá permanecerá por milênios, sentado sozinho sobre o vazio cinza do mundo que o seu ódio cego destruiu...
O pior deste vazio é não ter mais nada nem mesmo para poder odiar... E no fim vem o pior de todos os ódios... O ódio que você sente por si mesmo... O ódio que te impede de sentir amor pela célula de ligação mais importante com o todo... Sua alma... A única individualidade que lhe permite perceber o amor existente em todas as coisas do Universo... E ai o seu ódio se derrama na necessidade de possuir... De ver no outro a salvação para o seu imenso nada queimado... E ai tudo te irrita, passa mal nos ônibus lotados e xinga o motorista; deixa a gula tomar conta do mal humor de um estômago dolorido; ou a preguiça que não te permite saltar da cama para enfrentar um mundo que agora você acha horrível... Começa a perder a empatia pelos outros seres vivos... Quer odiar até as formigas que te impediram de dar mais um abraço na pessoa que você gosta... Centenas de formigas penetram a casca da sua blusa e te picam vorazmente até você chegar ao banheiro e querer matá-las todas... Mas ainda há esperança, meus amores... Você ainda pode escolher o certo e respirar mais um pouquinho, enquanto tira todas elas com o máximo de cuidado para que possam ter a chance de viver mais um tantinho e ajudar sua floresta a crescer de novo...
Consigo me lembrar de todas as vezes que senti uma cólera extrema crescer como uma rosa de fogo devorando minhas entranhas... Me lembro de três ou quatro dos narizes que sangrei; da pedrada quebrando dois dedos da mão do meu amigo; me lembro de pisar na cabeça de outros meninos tão frágeis quanto eu... Me lembro gloriosamente de todos os caras mais velhos, mais altos e mais fortes e robustos do que eu... Me lembro de ver a cara de desespero deles todas as vezes que o meu ódio revelou minha loucura e eu quase os matei... Me lembro do carinha repetente da oitava série que vinha me perturbar na 6ª série de um verdadeiro inferno em escola pública; quando me bateu com seus braços musculosos e eu só pude apanhar indefeso enquanto esperava o primeiro vacilo para libertar os cães da minha Vingança... Levantei a sangue frio do chão onde ele me chutou, esperei que me desse as costas, vitorioso... Lembro-me com um certo êxtase que até hoje ainda me arranca um sorriso... A tábua da carteira solta que eu já conhecia, havia o lado do parafuso e o lado liso...(sim, eu tive tempo para escolher...)... Ele se sentou para conversar com as "novinhas" da minha sala... Houve rapidamente um giro de pelo menos uns 190º, onde usei a rotação do meu torso para desferir um golpe que eu sabia que não seria fatal, (sim, eu poderia tê-lo matado se tivesse escolhido bater com quina da madeira) mas eu bati com a parte lisa, bem chapado no lado direito da cara dele! Ele caiu no chão atordoado, permanecendo lá enquanto desfrutávamos de um silêncio sepulcral; nesse momento ele olhou para mim e tenho certeza que viu nos meus olhos um ódio vivo que só se apagaria se ele me matasse naquela hora...Hahaha! Como não teve coragem, preferiu me caguetar para a diretoria...
Assim é quando penso nos dias de minha infância solitária... Cheio de glórias e fracassos, tantos que parecem ter me ocorrido em outra vida... Mas a criança também carrega milhares de traumas... E o ódio ao mundo dos adultos... Quando não tínhamos dinheiro suficiente e minha mãe deixava o meu cabelo crescer bastante antes de mandar cortar... Houve uma época onde eu cortava no sindicado dos rodoviários daquela cidade... Lá, um dia sem mais nem menos, o cara que cortava cabelo resolveu acariciar o pau de uma criança indefesa que nada sabia ou se interessava por essas coisas... Não posso descrever o horror, o medo, a vergonha daquele ato grotesco que certamente ficaria impune... Pois eu jamais teria revelado isso se não fosse pela insistência de vocês, senhores... De todas vocês também, senhoras malvadas que não escutaram meus silenciosos gritos de socorro... Que não deram a mínima para tentar entender como o bêbado e louco se equilibravam na corda bamba de tudo o que sentiam por dentro...
Talvez vocês nunca venham a saber o que significou pra mim... Ter aquela mão magra e infecta sobre o meu nervo miúdo... A eternidade que durou aquele corte de cabelo, enquanto ele roçava os dedos maliciosamente no meu rosto, pousava o pente sobre o meu colo para disfarçar o que realmente estava fazendo... As pessoas as vezes apareciam do lado de fora da sala, mas eu não pude fazer nada, não tive reação sobre aquele ato vil... Ninguém viu a minha cara de sofrimento... E depois a corrida, a fuga, o ódio descarregado naquela poça de lama, sozinho na rua de barro atrás do Centro Comercial de Itabuna... Um lugar horrível onde a urbanização desorganizada coloniza as pessoas... Lá eu senti um ódio inominável contra a humanidade... Naquele momento eu odiei todas as pessoas que existiam no mundo, porque ali eu sabia que não poderia confiar a ninguém o segredo daquele meu ódio... Todos, absolutamente todos teriam reações que me magoariam enormemente... Ririam de mim, me chamariam de viado, baitolinha, diriam que eu gostei de ter sido molestado... Mas o pior, eu temia ainda mais a minha mãe; eu temia que ela realmente matasse o cara... Mas confesso que temia mais por ela, porque eu sabia que muito provavelmente ela seria encarcerada como louca pelo resto da vida... E depois, sempre teria vergonha de olhar nos olhos caprinos dela... Ao mesmo tempo em que me enchem de ternura e amor, me enchem também de medo... Um medo terrível, como se ela pudesse ler toda a angústia em minha alma...
Eu posso jurar que quis matá-lo eu mesmo, pensei que se tivesse pelo menos uns 17 anos, teria força o suficiente para perfurar o coração dele com uma faca... Era verão, eu tinha acabado de completar 09 anos, achava o mundo infinitamente mais lindo do que acho agora... Mas eu conhecia os caras de 17 anos... Eles eram mais fortes e mais ágeis do que eu, era difícil xingá-los e sair ileso... Eles também tinham uma malícia muitíssimo aguçada... Eram traiçoeiros e vingativos e preferiam nos emboscar na surdina... Mas eu era rápido e inteligente... O segundo mais veloz da minha rua... Pensei então que uma facada pelas costas, mais ou menos na região do pâncreas (sim! eu lia os livros do Ensino Médio de meus irmãos) serviria para que ele nunca mais fizesse aquilo com ninguém... Afinal... por todos os demônios, eu tinha forças para perfurar a carne de um homem por baixo das costelas... hahahahahah! Eu só teria que descer até a feira e roubar uma faca grande de um dos barraqueiros da rua das facas... Essa era a parte mais difícil, pois eu iria tomar surras inimagináveis se fosse pego roubando (por isso eu era muito cauteloso nos meus planos de roubos)... Então eu escolhi comer calado aquele ódio ignorante, passei a odiar a mim mesmo por aquela impotência, aquela impotência desastrosa de não poder mudar nada sobre aquele sentimento... E daí, o ódio pela sociedade só me tornou um cara mal, auto-destrutivo, machista, homofóbico e muito, mas muito nocivo às pessoas que tentaram se aproximar de mim... E aqui estou, oh leitores iluminados, vagabundos de toda a sorte, venho lhes pedir essa ajuda!!!
Gostaria mesmo de poder explicar melhor a você, amiga, a razão de toda a minha calma ao caminhar sozinho pela rua hoje em dia... Mas além da minha vontade oculta de desafiar a vida, de querer encontrar a morte e olhá-la tete a tete... Existe também em mim o orgulho soberbo de um sobrevivente... Na hora que você subestima a minha força, até penso em te dizer como parte de mim se sente feliz em saber que derrotei muitas vezes a macheza e a brutalidade do mundo masculino... Que enfrentei valentões maiores do que eu e os venci com a minha sagacidade, e um pouco da ajuda da natureza, é claro! (Sim! Estou falando de pedras, paus, um ou dois punhados de areia, água; ou qualquer outra coisa que a Mãe proveu para que este moleque franzino pudesse maximizar os danos infligidos na maquinaria da masculinidade...)... Mas quase que imediatamente, outras partes de mim sentem vergonha e dor ao pensar em todas as pessoas que já machuquei... Nas mães, pais, irmãos e namoradas dos garotos que chegaram em casa depois de uma briga comigo... Fico pensando no ódio refletindo a cara inchada frente ao espelho, tentando compreender ainda os erros cometidos na noite passada... Eu sei... Porque também passei por isso... Também passei pela humilhação de perder inúmeras brigas; de levar chute na cara, de estar indefeso no chão; de quase morrer por uma pedrada que raspou de perto a tintura do meu crânio; de ter que esconder as escoriações da minha mãe para que ela não se intrometesse nas minhas batalhas... Da impotência de nada poder fazer para mudar a minha situação a não ser engolir a humilhação e esperar o corpo sarar... E ai então, esfriar a cabeça e tentar preencher aquele vazio aprendendo novas e melhores maneiras de continuar lutando...
Todo esse fogo consumiu os meus dias como um dragão sem rumo... Num mundo onde as guerras e os caçadores mataram todos os outros dragões que pudessem me fazer companhia neste céu onde eu voo sozinho... E eu sinto esse amor tão imenso e me calo... Sou sempre obrigado a deixar de amar quem me interessa... E o meu Vazio me diz que é porque eu sou amaldiçoado... Ninguém deveria ser obrigado a deixar de gostar de alguém... Principalmente eu, que sei que o meu amor é um Dragão Alado! O último do meu mundo... (Triste! Como naquele filme que o Dragão tem a voz do Miguel Farabella, rs)... Ele vagará este céu nublado à procura de alguém que o compreenda... Que o aceite como é... Está farto de ser considerado um monstro, de ser caçado, de ser desajeitado, de destruir, de queimar as pessoas que ama... Por isso ele voa sempre para mais longe, ele vai em busca de sua Ávalon eterna... No momento, enquanto não acha esse caminho secreto, ele apenas voa! Quem sabe ainda na esperança de tornar-se uma estrela dourada a navegar o negrume da Constelação de Câncer? A verdade é que, no íntimo de suas escamas, este Dragão se sente perdido, fugindo de uma humanidade monstruosa que insiste em ignorar a face de seus próprios vazios no espelho...
XVI - III - MMXVII.
Por muito tempo houve segredos em minha mente
Por muito tempo houve coisas que eu deveria ter dito
Na escuridão eu estava cambaleando até a porta
Para encontrar uma razão para achar o tempo, o lugar, a hora
Esperando pelo sol de inverno e pela fria luz do dia
Os nebulosos fantasmas dos medos da infância
A pressão está se formando e eu não consigo me afastar
(Refrão) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar
Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você
Onde eu estava, eu tinha asas que não conseguiam voar
Onde eu estava, eu tinha lágrimas que não podiam chorar
Minhas emoções congeladas num lago de gelo
Eu não conseguia senti-las, até que o gelo começou a quebrar
Eu não tenho poder sobre isso, você sabe que tenho medo
As paredes que construí estão rachando, a água está se movendo
Estou sendo levado
(Refrão) ...
Lentamente eu acordo, lentamente me levanto
As paredes que construí estão rachando
A água está se movendo
Estou sendo levado
(Refrão 2x) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar
Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você...
(Tears of the Dragon - Bruce Dickinson, Balls to Picasso, 1994.)
https://www.youtube.com/watch?v=D_8epbz-qZ8
Ps: Para quem tiver mais interesses em traumas infantis decorrentes de abusos sexuais. Queiram ver este documentário... Os Monstros de Minha Casa... É com legendas em espanhol mas garanto que não será menos chocante e revoltante por isso...
https://www.youtube.com/watch?v=nq_i0uLyoOQ
Assim é quando penso nos dias de minha infância solitária... Cheio de glórias e fracassos, tantos que parecem ter me ocorrido em outra vida... Mas a criança também carrega milhares de traumas... E o ódio ao mundo dos adultos... Quando não tínhamos dinheiro suficiente e minha mãe deixava o meu cabelo crescer bastante antes de mandar cortar... Houve uma época onde eu cortava no sindicado dos rodoviários daquela cidade... Lá, um dia sem mais nem menos, o cara que cortava cabelo resolveu acariciar o pau de uma criança indefesa que nada sabia ou se interessava por essas coisas... Não posso descrever o horror, o medo, a vergonha daquele ato grotesco que certamente ficaria impune... Pois eu jamais teria revelado isso se não fosse pela insistência de vocês, senhores... De todas vocês também, senhoras malvadas que não escutaram meus silenciosos gritos de socorro... Que não deram a mínima para tentar entender como o bêbado e louco se equilibravam na corda bamba de tudo o que sentiam por dentro...
Talvez vocês nunca venham a saber o que significou pra mim... Ter aquela mão magra e infecta sobre o meu nervo miúdo... A eternidade que durou aquele corte de cabelo, enquanto ele roçava os dedos maliciosamente no meu rosto, pousava o pente sobre o meu colo para disfarçar o que realmente estava fazendo... As pessoas as vezes apareciam do lado de fora da sala, mas eu não pude fazer nada, não tive reação sobre aquele ato vil... Ninguém viu a minha cara de sofrimento... E depois a corrida, a fuga, o ódio descarregado naquela poça de lama, sozinho na rua de barro atrás do Centro Comercial de Itabuna... Um lugar horrível onde a urbanização desorganizada coloniza as pessoas... Lá eu senti um ódio inominável contra a humanidade... Naquele momento eu odiei todas as pessoas que existiam no mundo, porque ali eu sabia que não poderia confiar a ninguém o segredo daquele meu ódio... Todos, absolutamente todos teriam reações que me magoariam enormemente... Ririam de mim, me chamariam de viado, baitolinha, diriam que eu gostei de ter sido molestado... Mas o pior, eu temia ainda mais a minha mãe; eu temia que ela realmente matasse o cara... Mas confesso que temia mais por ela, porque eu sabia que muito provavelmente ela seria encarcerada como louca pelo resto da vida... E depois, sempre teria vergonha de olhar nos olhos caprinos dela... Ao mesmo tempo em que me enchem de ternura e amor, me enchem também de medo... Um medo terrível, como se ela pudesse ler toda a angústia em minha alma...
Eu posso jurar que quis matá-lo eu mesmo, pensei que se tivesse pelo menos uns 17 anos, teria força o suficiente para perfurar o coração dele com uma faca... Era verão, eu tinha acabado de completar 09 anos, achava o mundo infinitamente mais lindo do que acho agora... Mas eu conhecia os caras de 17 anos... Eles eram mais fortes e mais ágeis do que eu, era difícil xingá-los e sair ileso... Eles também tinham uma malícia muitíssimo aguçada... Eram traiçoeiros e vingativos e preferiam nos emboscar na surdina... Mas eu era rápido e inteligente... O segundo mais veloz da minha rua... Pensei então que uma facada pelas costas, mais ou menos na região do pâncreas (sim! eu lia os livros do Ensino Médio de meus irmãos) serviria para que ele nunca mais fizesse aquilo com ninguém... Afinal... por todos os demônios, eu tinha forças para perfurar a carne de um homem por baixo das costelas... hahahahahah! Eu só teria que descer até a feira e roubar uma faca grande de um dos barraqueiros da rua das facas... Essa era a parte mais difícil, pois eu iria tomar surras inimagináveis se fosse pego roubando (por isso eu era muito cauteloso nos meus planos de roubos)... Então eu escolhi comer calado aquele ódio ignorante, passei a odiar a mim mesmo por aquela impotência, aquela impotência desastrosa de não poder mudar nada sobre aquele sentimento... E daí, o ódio pela sociedade só me tornou um cara mal, auto-destrutivo, machista, homofóbico e muito, mas muito nocivo às pessoas que tentaram se aproximar de mim... E aqui estou, oh leitores iluminados, vagabundos de toda a sorte, venho lhes pedir essa ajuda!!!
Gostaria mesmo de poder explicar melhor a você, amiga, a razão de toda a minha calma ao caminhar sozinho pela rua hoje em dia... Mas além da minha vontade oculta de desafiar a vida, de querer encontrar a morte e olhá-la tete a tete... Existe também em mim o orgulho soberbo de um sobrevivente... Na hora que você subestima a minha força, até penso em te dizer como parte de mim se sente feliz em saber que derrotei muitas vezes a macheza e a brutalidade do mundo masculino... Que enfrentei valentões maiores do que eu e os venci com a minha sagacidade, e um pouco da ajuda da natureza, é claro! (Sim! Estou falando de pedras, paus, um ou dois punhados de areia, água; ou qualquer outra coisa que a Mãe proveu para que este moleque franzino pudesse maximizar os danos infligidos na maquinaria da masculinidade...)... Mas quase que imediatamente, outras partes de mim sentem vergonha e dor ao pensar em todas as pessoas que já machuquei... Nas mães, pais, irmãos e namoradas dos garotos que chegaram em casa depois de uma briga comigo... Fico pensando no ódio refletindo a cara inchada frente ao espelho, tentando compreender ainda os erros cometidos na noite passada... Eu sei... Porque também passei por isso... Também passei pela humilhação de perder inúmeras brigas; de levar chute na cara, de estar indefeso no chão; de quase morrer por uma pedrada que raspou de perto a tintura do meu crânio; de ter que esconder as escoriações da minha mãe para que ela não se intrometesse nas minhas batalhas... Da impotência de nada poder fazer para mudar a minha situação a não ser engolir a humilhação e esperar o corpo sarar... E ai então, esfriar a cabeça e tentar preencher aquele vazio aprendendo novas e melhores maneiras de continuar lutando...
Todo esse fogo consumiu os meus dias como um dragão sem rumo... Num mundo onde as guerras e os caçadores mataram todos os outros dragões que pudessem me fazer companhia neste céu onde eu voo sozinho... E eu sinto esse amor tão imenso e me calo... Sou sempre obrigado a deixar de amar quem me interessa... E o meu Vazio me diz que é porque eu sou amaldiçoado... Ninguém deveria ser obrigado a deixar de gostar de alguém... Principalmente eu, que sei que o meu amor é um Dragão Alado! O último do meu mundo... (Triste! Como naquele filme que o Dragão tem a voz do Miguel Farabella, rs)... Ele vagará este céu nublado à procura de alguém que o compreenda... Que o aceite como é... Está farto de ser considerado um monstro, de ser caçado, de ser desajeitado, de destruir, de queimar as pessoas que ama... Por isso ele voa sempre para mais longe, ele vai em busca de sua Ávalon eterna... No momento, enquanto não acha esse caminho secreto, ele apenas voa! Quem sabe ainda na esperança de tornar-se uma estrela dourada a navegar o negrume da Constelação de Câncer? A verdade é que, no íntimo de suas escamas, este Dragão se sente perdido, fugindo de uma humanidade monstruosa que insiste em ignorar a face de seus próprios vazios no espelho...
XVI - III - MMXVII.
Por muito tempo houve segredos em minha mente
Por muito tempo houve coisas que eu deveria ter dito
Na escuridão eu estava cambaleando até a porta
Para encontrar uma razão para achar o tempo, o lugar, a hora
Esperando pelo sol de inverno e pela fria luz do dia
Os nebulosos fantasmas dos medos da infância
A pressão está se formando e eu não consigo me afastar
(Refrão) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar
Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você
Onde eu estava, eu tinha asas que não conseguiam voar
Onde eu estava, eu tinha lágrimas que não podiam chorar
Minhas emoções congeladas num lago de gelo
Eu não conseguia senti-las, até que o gelo começou a quebrar
Eu não tenho poder sobre isso, você sabe que tenho medo
As paredes que construí estão rachando, a água está se movendo
Estou sendo levado
(Refrão) ...
Lentamente eu acordo, lentamente me levanto
As paredes que construí estão rachando
A água está se movendo
Estou sendo levado
(Refrão 2x) Me jogo para dentro do mar
Libero a onda, deixo ela me levar
Para encarar o medo, certa vez acreditei
Que as lágrimas do dragão eram para mim e para você...
(Tears of the Dragon - Bruce Dickinson, Balls to Picasso, 1994.)
https://www.youtube.com/watch?v=D_8epbz-qZ8
Ps: Para quem tiver mais interesses em traumas infantis decorrentes de abusos sexuais. Queiram ver este documentário... Os Monstros de Minha Casa... É com legendas em espanhol mas garanto que não será menos chocante e revoltante por isso...
https://www.youtube.com/watch?v=nq_i0uLyoOQ
